Imunizante utiliza tecnologia de RNA mensageiro e deve iniciar estudos clínicos no primeiro trimestre de 2027
O Brasil vai começar a testar em humanos a primeira vacina contra a Covid-19 desenvolvida integralmente no país com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA). A autorização para o início dos estudos foi anunciada pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (2), segundo informações da CNN.
A tecnologia utiliza uma espécie de “instrução” temporária para orientar as células do organismo a produzir uma proteína específica. Essa proteína não provoca a doença, mas ajuda o sistema imunológico a reconhecer o coronavírus e a preparar suas defesas.

Como funciona a tecnologia
O RNA mensageiro leva às células as informações necessárias para a produção de uma proteína do vírus. A partir disso, o organismo aprende a identificar o agente infeccioso e desenvolve uma resposta de defesa.
Uma das principais vantagens da tecnologia é a possibilidade de adaptação para diferentes vírus e doenças, permitindo que uma mesma plataforma seja utilizada no desenvolvimento de novos imunizantes.
A vacina foi desenvolvida pela Fiocruz e pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) e já passou pelos estudos pré-clínicos, realizados antes dos testes em humanos. Nessa etapa, os pesquisadores avaliaram a segurança e a capacidade do imunizante de provocar proteção contra a Covid-19.
Com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o projeto avança agora para a fase clínica, com início previsto para o primeiro trimestre de 2027.
O que serão avaliados nos testes
Na primeira fase dos estudos clínicos, voluntários receberão o imunizante para que os pesquisadores avaliem principalmente sua segurança e a capacidade de estimular uma resposta do sistema imunológico.
Os participantes serão acompanhados durante um ano. A proposta é avaliar a vacina como dose de reforço contra a Covid-19. Os resultados dessa etapa serão utilizados para orientar as fases seguintes do desenvolvimento do imunizante.
Mais de R$ 200 milhões destinados a pesquisas
O governo federal também destinou cerca de R$ 210 milhões para projetos relacionados ao desenvolvimento de vacinas com tecnologia de RNA mensageiro.
Além da Covid-19, pesquisadores da Fiocruz, do Instituto Butantan e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estudam aplicações da tecnologia contra doenças como dengue, malária, tuberculose, leishmaniose e doença de Chagas, além de possíveis tratamentos contra o câncer.
A iniciativa busca ampliar a capacidade de produção de imunizantes no Brasil, reduzir a dependência de tecnologias desenvolvidas no exterior e fortalecer a preparação do país para futuras emergências de saúde.