Ex-dirigente do Banco Central é investigado por contratos simulados de R$ 4 milhões ligados ao Banco Master

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Uma investigação interna do Banco Central aponta que o ex-chefe de Supervisão Bancária, Belline Santana, teria utilizado contratos simulados para ocultar o recebimento de cerca de R$ 4 milhões em propina. As informações constam em relatório sigiloso concluído em 4 de março e divulgado pela Folha de S.Paulo.

Contratos sob suspeita

De acordo com a sindicância, os contratos foram firmados com a Varajo Consultoria, empresa de Leonardo Palhares, identificado pela Polícia Federal como operador ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Em um dos acordos, Santana teria recebido R$ 2 milhões pela elaboração de um estudo de aproximadamente 50 páginas sobre educação financeira. No entanto, a análise do material indicou conteúdo superficial, baseado em compilações de artigos e entrevistas, sem contribuição autoral relevante.

O relatório destaca ainda que o valor pago é incompatível com o serviço apresentado, apontando que o conteúdo poderia ter sido produzido com o uso de ferramentas de inteligência artificial.

Entregas e indícios

A comissão responsável concluiu que o ex-servidor não possuía experiência compatível com o objeto contratado. Segundo o documento, mesmo que o serviço fosse legítimo, o valor pago só se justificaria caso fosse destinado a um especialista de referência na área.

Um segundo contrato previa a continuidade do projeto, incluindo palestras e ações complementares. As entregas, entretanto, foram consideradas limitadas, como a criação de logomarca, perfis em redes sociais e a realização de um webinário com baixa participação. Para os investigadores, os elementos reforçam a suspeita de irregularidades.

Possíveis consequências

O relatório também aponta possível conflito de interesses, já que Santana ocupava um cargo estratégico e tinha acesso a informações sensíveis, inclusive relacionadas ao próprio Banco Master.

Diante dos indícios de enriquecimento ilícito e corrupção, foi recomendada a abertura de processo disciplinar na Controladoria-Geral da União (CGU).

Defesa

Em nota, a defesa de Belline Santana afirmou que o ex-servidor atuou “de forma técnica e, principalmente, lícita” e que apresentará os devidos esclarecimentos às autoridades competentes.

Os desdobramentos do caso seguem sob apuração.

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