Flanelinhas do CV: facção usa esquema de estacionamento para controlar o Rio Vermelho

O bairro do Rio Vermelho, conhecido pela vida boêmia e cultural de Salvador, tornou-se alvo da atuação do Comando Vermelho (CV). Segundo a Polícia Civil, integrantes da facção exploravam ilegalmente vagas de estacionamento por meio de falsos flanelinhas, utilizando a atividade não apenas para lucrar, mas também para monitorar a área e impedir o avanço de rivais, como o Bonde do Maluco (BDM).

Foto: Divulgação.

Prisões e liderança

A investigação da 28ª Delegacia Territorial revelou que o esquema era liderado por Carlos Alberto Santos Silva, conhecido como “Fumaça”, preso no último dia 9. Entre os detidos também está o traficante Adimanel, que aparece em fotos armado ao lado de outros integrantes do CV. O grupo foi responsabilizado por mais de 45 arrombamentos de veículos registrados no segundo semestre de 2025.

Como funcionava o esquema

Os falsos guardadores cobravam por vagas em áreas de grande movimento, como a Rua do Meio e o entorno da Igreja de Sant’Ana. Além de vigiar os carros, observavam o que havia dentro para realizar furtos. Segundo o delegado Nilton Borba, celulares e objetos pessoais eram revendidos rapidamente, garantindo lucro diário ao grupo. A presença constante dos criminosos também servia para marcar território e afastar facções rivais.

Impacto no bairro

Com bares e restaurantes lotados, a demanda por estacionamento no Rio Vermelho é alta, o que facilitava a atuação dos flanelinhas ligados ao CV. Comerciantes e seguranças relataram que clientes frequentemente voltavam e encontravam seus veículos arrombados. Guardadores cadastrados pela Prefeitura afirmaram sofrer ameaças para ceder espaço às vagas controladas pela facção.

Expansão da facção

Desde 2020, o Comando Vermelho ampliou sua presença na Bahia, atuando não apenas no tráfico de drogas e armas, mas também em atividades paralelas. Em comunidades como Cosme de Farias e Nordeste de Amaralina, provedores de internet são obrigados a pagar taxas para operar. Comerciantes de diversos segmentos também relatam cobranças de “pedágio”, mostrando que a facção diversificou suas fontes de renda e ampliou o controle sobre territórios.

Situação atual

Apesar das prisões, policiais militares afirmam que o grupo rapidamente substitui integrantes presos por outros, mantendo o esquema ativo. Para moradores e frequentadores do Rio Vermelho, a sensação é de insegurança constante, especialmente à noite, quando os falsos flanelinhas intensificam sua presença. O caso evidencia como facções criminosas têm expandido sua atuação para além do tráfico, explorando atividades cotidianas e impactando diretamente a vida urbana.

Com informações do Correio da Bahia.

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