Jovem do Nordeste de Amaralina é morto por traficantes do BDM após ser fotografado

O jovem Williams Nogueira dos Santos Silva, de 28 anos, foi sequestrado e morto por traficantes do Bonde do Maluco (BDM) após sair de casa, no Nordeste de Amaralina, para participar de uma celebração religiosa em Simões Filho. Antes de ser assassinado, Williams foi fotografado pelos criminosos, obrigado a fazer o sinal de “3” com as mãos, em referência à facção. A imagem circulou horas antes de seu corpo ser encontrado em uma área de mata no bairro de Aratu, conhecida como ponto de desova.

Foto: Divulgação.

De acordo com a polícia, o crime ocorreu apenas pelo fato de a vítima morar em uma região dominada pelo Comando Vermelho (CV), facção rival do BDM. Williams não tinha envolvimento com o tráfico. Familiares e amigos lamentaram sua morte nas redes sociais, destacando sua trajetória como trabalhador e devoto da religião. “Meu primo era menino do bem, gentil, carinhoso e trabalhador. Ele não merecia tamanha covardia”, escreveu uma parente.

A Polícia Militar da Bahia informou que agentes da 22ª CIPM foram acionados na tarde de segunda-feira (17) para verificar a denúncia de corpo encontrado. O Departamento de Polícia Técnica realizou a remoção e perícia. Já a Polícia Civil, por meio da 3ª Delegacia de Homicídios, afirmou que já possui indícios dos autores, mas mantém as investigações em sigilo.

O caso reforça a prática conhecida como “morte por CEP”, em que moradores de bairros dominados por facções rivais são executados apenas pela origem territorial. Especialistas em segurança pública apontam que a estratégia é usada como forma de intimidação e demonstração de poder. O coronel reformado Antônio Jorge Melo destacou que “a ousadia e a crueldade com que as facções executam suas punições repetem práticas verificadas no Rio de Janeiro, servindo para impor medo e reforçar a autoridade das lideranças criminosas”.

Nos últimos meses, Salvador registrou outros episódios semelhantes. Em outubro, Richard de Jesus Santana, de 21 anos, foi esquartejado por integrantes do BDM na Federação por ter morado no Garcia, área ligada ao CV. Em outro caso, Pedro Lacerda, morador de região dominada pelo BDM, foi executado com mais de 50 tiros na cabeça após ser localizado por rivais em uma festa paredão na Santa Cruz.

A morte de Williams expõe novamente a crueldade das disputas entre facções e o impacto direto sobre moradores que não têm qualquer ligação com o crime, mas acabam vitimados pela guerra territorial.

Com informações do Correio da Bahia.

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