Madagascar vive ruptura institucional após militares tomarem o poder em meio à revolta da Geração Z

Na manhã de terça-feira, 14 de outubro de 2025, Madagascar entrou em uma nova fase de instabilidade política com o anúncio da tomada de poder por militares rebeldes. A ação ocorreu minutos após o Parlamento ignorar um decreto presidencial que determinava sua dissolução e votar o impeachment do presidente Andry Rajoelina, que fugiu do país diante da escalada dos protestos liderados pela Geração Z e da deserção de unidades das Forças Armadas.

Foto: Reuters.

A crise teve início em setembro, quando milhares de jovens malgaxes, insatisfeitos com cortes de energia, escassez de água, corrupção e falta de oportunidades, passaram a ocupar as ruas da capital Antananarivo. O movimento, batizado informalmente de “Primavera dos novinhos”, segue uma tendência global de mobilizações juvenis que já provocaram mudanças políticas em países como Peru, Nepal e Quênia. Em Madagascar, os protestos rapidamente ganharam apoio de setores da polícia e do Exército, que romperam com o governo e se uniram aos manifestantes.

Na segunda-feira, 13 de outubro, Rajoelina deixou o país em um avião militar francês, segundo fontes da agência Reuters, após perder o controle sobre as forças de segurança. A fuga foi confirmada por membros da presidência, embora o paradeiro exato do presidente permaneça desconhecido. A rádio francesa RFI informou que ele teria fechado um acordo com o presidente Emmanuel Macron para garantir sua saída segura.

Mesmo fora do país, Rajoelina tentou manter o controle político ao publicar um decreto dissolvendo o Parlamento. No entanto, os deputados ignoraram a ordem e aprovaram seu impeachment. Em resposta, os militares rebeldes anunciaram pela rádio nacional que haviam assumido o controle do governo, dissolvendo todas as instituições, exceto o Legislativo. O coronel Michael Randrianirina, líder do movimento, declarou que todas as ordens do Exército malgaxe passariam a ser emitidas a partir do quartel-general do CAPSAT.

Com a saída de Rajoelina, o presidente do Senado deveria assumir interinamente o comando do país. No entanto, o antigo ocupante do cargo foi destituído, e Jean André Ndremanjary foi indicado para substituí-lo temporariamente. A medida busca garantir alguma estabilidade institucional até que novas eleições sejam realizadas, conforme promessa feita por Rajoelina antes de sua fuga.

Desde o início das manifestações, pelo menos 22 pessoas morreram em confrontos com as forças de segurança, segundo dados da ONU. A escalada da violência e a ruptura institucional colocam Madagascar novamente sob os holofotes internacionais, reacendendo preocupações sobre a fragilidade democrática na ilha africana, que já enfrentou levantes populares em 2009 e eleições contestadas em 2018 e 2023.

A tomada de poder pelos militares e a força dos protestos juvenis mostram que a Geração Z tem desempenhado um papel cada vez mais decisivo na política global, exigindo renovação, transparência e inclusão. Em Madagascar, esse movimento pode representar o início de uma nova era — ou o aprofundamento de uma crise que já dura décadas.

Com informações do G1.

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