Operação Iceberg: Polícia Civil prende 11 suspeitos de integrar rede de tráfico de drogas na Bahia

Investigação aponta venda de entorpecentes, uso de empresas e contas de terceiros e movimentação de mais de R$ 9,6 milhões; grupo teria como público consumidores de alto poder aquisitivo.

A Polícia Civil da Bahia prendeu 11 pessoas nesta quinta-feira (24), durante a Operação Iceberg, deflagrada para desarticular uma rede suspeita de comercializar drogas e movimentar recursos de origem ilícita no estado. Segundo as investigações, o grupo teria como público consumidores de alto poder aquisitivo e utilizaria empresas, contas bancárias de terceiros e outros mecanismos para ocultar valores.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e realizadas duas prisões em flagrante. As ações aconteceram em Salvador, Jaguaripe, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus. Também foi cumprida uma ordem contra um investigado que já estava custodiado no sistema prisional de Aracaju, em Sergipe.

Foto: Divulgação/PF

Quem são os investigados

Erik Castro Gusmão Seixas é apontado pela investigação como o principal alvo da operação. Segundo a Polícia Civil, ele comercializava diferentes variedades de maconha por meio do Instagram e utilizava uma empresa individual, contas de terceiros e o nome da avó para registrar veículos de alto padrão e movimentar valores. Ele também é investigado por negociação de arma de fogo. Erik foi alvo de mandado de prisão preventiva e acabou preso em flagrante com drogas.

Luan Costa da Silva é apontado como distribuidor de drogas em grande escala no interior da Bahia, com atuação em Santo Antônio de Jesus. De acordo com a investigação, ele seria responsável pela logística de remessas de grandes quantidades de entorpecentes e teria negociado a venda de uma pistola Glock com Erik. Para as transações, utilizaria contas bancárias e linhas telefônicas de terceiros.

Marco Antonio Cavalcanti de Azevedo Lopes é investigado por suposta atuação na distribuição regional de drogas em Vitória da Conquista e municípios próximos. Conforme a apuração, ele teria orientado Erik sobre maneiras de esconder os entorpecentes durante o transporte, incluindo o uso de embalagens a vácuo e potes de creme para dificultar a identificação do odor.

Laisa Franca Lacerda é suspeita de disponibilizar a própria residência para armazenamento e retirada de drogas por compradores. A investigação também aponta que ela teria participado da movimentação financeira do grupo, com mais de R$ 180 mil transferidos por meio de contas pessoais e de uma empresa apontada como de fachada.

Matheus Ribeiro Mello do Nascimento é apontado como alguém que teria passado de comprador a revendedor de drogas. Segundo a investigação, ele intermediava negociações para terceiros e buscava fornecedores no Paraguai. O comércio dos entorpecentes teria ocorrido em sua residência, com utilização do veículo do pai e de contas de outras pessoas para realizar pagamentos.

Marcelo Botelho Reis foi preso em flagrante com uma arma de fogo. De acordo com a investigação, ele seria responsável pela aquisição de drogas para revenda e teria movimentado mais de R$ 46 mil com Erik. Marcelo também possui registros de prisões anteriores relacionados à tentativa de aquisição de drogas.

Tyago de Assis Conceição teve um mandado de prisão cumprido no sistema prisional de Sergipe. Ele é apontado como fornecedor de drogas. A investigação financeira identificou transações nas quais, segundo a Polícia Civil, ele recebia de Erik valores superiores aos que pagava. O CPF de Tyago está vinculado à empresa Xalove Mouse, considerada inapta desde 2022. Ele também é alvo de outra investigação relacionada ao tráfico de drogas, a Operação ZIMMER.

Guilherme Rodrigues de Oliveira é sócio único da empresa Metalnor, também identificada como Gold Auto Peças. Segundo a investigação, ele apresentou a maior movimentação financeira individual entre os citados, no valor de R$ 281.715,40. A empresa é apontada como de fachada e, conforme a apuração, não teria atividade real desde 2023, sendo utilizada para integrar e dispersar recursos considerados suspeitos. Até o momento, a investigação não identificou vínculo direto de Guilherme com a comercialização de drogas.

Camila Ingrid Dourado Bezerra é apontada como namorada de um dos investigados, identificado como Luccius. Ela foi presa em flagrante após uma grande quantidade de drogas ser encontrada em sua residência.

Robson Siqueira Reis teve um mandado de prisão cumprido. Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, ainda não foram detalhados o papel que ele teria desempenhado ou sua função dentro da estrutura investigada.

Investigação aponta movimentação de R$ 9,6 milhões

De acordo com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Erik foi localizado no Alto do Itaigara, em Salvador. A investigação aponta que ele recebia drogas de fornecedores de São Paulo e do Paraguai e coordenava a distribuição dos entorpecentes para Salvador, Vitória da Conquista e Santo Antônio de Jesus.

A análise financeira identificou movimentações superiores a R$ 9,6 milhões ao longo de cinco anos, distribuídas em mais de 16,6 mil transações bancárias. Segundo a investigação, empresas, contas de terceiros e pessoas interpostas teriam sido utilizadas para movimentar e ocultar os recursos.

A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e valores dos investigados.

Como funcionaria o esquema

Segundo a Polícia Civil, os investigados utilizavam redes sociais para negociar drogas, recebiam pagamentos principalmente por meio de Pix e realizavam entregas de forma discreta.

Entre os consumidores identificados durante a investigação estavam médicos, empresários, advogados e outros profissionais de alto poder aquisitivo.

Os entorpecentes eram anunciados com nomes como ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA. A apuração também identificou suspeitas de utilização de empresas e contas bancárias de familiares ou terceiros para ocultar e movimentar recursos.

Durante a operação, foram apreendidos entorpecentes, celulares e documentos. As medidas patrimoniais também alcançaram oito veículos e uma motocicleta, avaliados em mais de R$ 1,1 milhão, segundo a tabela Fipe.

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