O julgamento dos acusados pela morte da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, foi retomado nesta terça-feira (14), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. A sessão teve início às 8h e dá continuidade ao júri iniciado na segunda-feira (13), quando três testemunhas foram ouvidas e um dos réus confessou participação no crime.
Nesta etapa, ocorrem os debates entre o Ministério Público da Bahia, a assistência de acusação e as defesas. Cada parte dispõe de até duas horas e meia para apresentar seus argumentos, com direito à réplica. A expectativa é de que o julgamento seja concluído ainda hoje, com a decisão dos jurados.
No primeiro dia, o réu Arielson da Conceição Santos admitiu envolvimento e afirmou que o grupo pretendia apenas intimidar a vítima, mas que a ação saiu do controle. Ele e Marílio dos Santos, que está foragido, respondem por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, crueldade e uso de arma de uso restrito.

Segundo a acusação, o crime teria sido motivado pela atuação da vítima contra a presença de um grupo criminoso na comunidade Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. A líder foi morta com 25 tiros, dentro da associação que coordenava, em agosto de 2023.
Antes do início do júri, o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, José Edivaldo Rotondano, afirmou que, apesar da expectativa de conclusão rápida, o processo pode se estender devido à possibilidade de recursos. Ele ressaltou que a decisão só será definitiva após o esgotamento de todas as possibilidades de contestação judicial.