O julgamento dos dois homens denunciados pelo Ministério Público da Bahia pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, teve início com atraso na manhã desta segunda-feira (13), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. A demora foi atribuída à leitura do processo pelos sete jurados que integram o Conselho de Sentença.
A audiência estava inicialmente prevista para o fim de fevereiro, mas foi adiada a pedido da defesa. A previsão que a ssessão desta segunda-feira pode durar cerca de 12 horas.
Estão sendo julgados Arielson da Conceição Santos, apontado como executor do crime, e Marílio dos Santos, identificado como mandante. Marílio está foragido e é representado no processo por um advogado constituído.
De acordo com o Tribunal de Justiça da Bahia, caso haja necessidade de continuidade, o julgamento será retomado nesta terça-feira (14), a partir das 8h.

A segurança no local foi reforçada para garantir a realização da sessão.
Acusações
Segundo o Ministério Público da Bahia, os réus respondem por homicídio qualificado, com agravantes de motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso de arma de fogo de uso restrito. Arielson também responde pelo crime de roubo.
Outros três denunciados Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus ainda não têm data definida para julgamento.
O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, afirmou que a presença do Governo do Estado no júri reforça a confiança na Justiça.
“É reafirmar nossa expectativa de que a sociedade baiana tenha uma resposta concreta sobre os responsáveis por essa morte e que haja a devida responsabilização, além de reforçar o repúdio a crimes que violam os direitos de defensores de direitos humanos, que são um patrimônio da democracia”, declarou.
Relembre o caso
Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023, na sede da associação quilombola da comunidade de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Ela foi atingida por 25 disparos dentro da própria residência.
No momento do crime, três netos da líder quilombola, de 12, 13 e 18 anos, estavam no local. A violência da execução, ocorrida em um espaço simbólico de resistência da comunidade, provocou grande comoção nacional.
As investigações da Polícia Civil, no âmbito da Operação Pacific, com apoio do Gaeco do Ministério Público e da 7ª Promotoria de Justiça de Simões Filho, indicam que a motivação do crime estaria relacionada à atuação firme de Mãe Bernadete contra a expansão do tráfico de drogas no quilombo.