A comercialização ilegal de canetas emagrecedoras no Brasil acendeu um novo alerta das autoridades sanitárias. Produtos vendidos de forma clandestina contêm retatrutida, substância que ainda está em fase três de estudos clínicos e não foi aprovada para uso comercial. A informação foi divulgada pelo programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo (12).
De acordo com a reportagem, os medicamentos destinados ao emagrecimento já figuram entre os principais produtos do contrabando no país. Na Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu (PR), as canetas emagrecedoras ocupam o segundo lugar entre os itens mais apreendidos, ficando atrás apenas dos smartphones.

Contrabando avança pela fronteira com o Paraguai
Durante uma fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-277, principal corredor de entrada de mercadorias vindas do Paraguai, agentes encontraram diversas canetas emagrecedoras escondidas em um veículo que havia cruzado a fronteira.
Entre os produtos apreendidos estavam canetas à base de tirzepatida e outras comercializadas como retatrutida. Embora a substância seja considerada uma promessa para o tratamento da obesidade e do diabetes, ela ainda está na fase final de testes clínicos em humanos e não recebeu autorização para comercialização.
Anvisa reforça alerta sobre os riscos
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que nenhuma caneta emagrecedora fabricada no Paraguai possui autorização para ser comercializada legalmente no Brasil. Sem registro sanitário, esses produtos não passaram pelas avaliações necessárias para comprovar segurança, eficácia e qualidade.
Segundo a agência, a importação, comercialização e divulgação desses medicamentos são consideradas irregulares.
A Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai (Dinavisa) também emitiu um alerta sobre a retatrutida, classificando o produto como não registrado e de risco grave. O órgão reforçou que a substância permanece em fase experimental e ainda não foi aprovada por autoridades reguladoras para uso comercial.