Durante sua participação no evento Agenda Bahia, realizado nesta quarta-feira (20) em Salvador, o empresário Fábio Duarte, CEO da Community Creators Academy, fez uma análise contundente sobre os desafios enfrentados pelo axé music na era digital. Segundo ele, o estilo musical, que por décadas foi símbolo da cultura baiana e referência nacional, perdeu espaço no cenário contemporâneo por não ter se adaptado às transformações trazidas pelas redes sociais e pela digitalização da indústria musical.

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Duarte destacou que, ao contrário de outros gêneros que investiram em videoclipes, estratégias de conteúdo e presença digital, o axé permaneceu dependente de grandes eventos e shows presenciais. Essa escolha, segundo ele, comprometeu a capacidade do estilo de se manter relevante em plataformas digitais, onde hoje se concentra grande parte do consumo musical. “O axé music foi o estilo musical que menos se digitalizou com o surgimento das redes sociais. Ele vendia muito ticket, mas não vendia muito digital. Isso teve consequências”, afirmou.
O empresário relembrou conversas que teve com produtores e artistas locais, nas quais alertava sobre a necessidade de criação de plataformas próprias para promoção da música nordestina. Ele chegou a sugerir a criação de um canal nos moldes do KondZilla, voltado para o Norte e Nordeste, antes mesmo da ascensão do canal paulista. No entanto, segundo ele, a proposta não foi compreendida à época, e o mercado baiano acabou perdendo espaço. “As pessoas não entendiam que isso ia revolucionar. Acabamos que não criamos e começamos a perder um pouco de espaço dentro do cenário musical”, explicou.
Fábio Duarte também citou o projeto “Casa Salvador”, desenvolvido há cerca de dez anos em parceria com a prefeitura da capital baiana. A iniciativa tinha como objetivo transformar Salvador no maior canal de YouTube de cidades do mundo, mas a falta de continuidade impediu que a ideia prosperasse. Para ele, se o projeto tivesse sido mantido, poderia ter impactado diretamente o turismo da cidade, tornando-a uma referência global. “É um trabalho que Dubai faz de maneira excelente. O conteúdo pode mudar o turismo de uma cidade, de um estado, pode alavancar uma empresa, uma indústria. Mas precisa começar agora”, enfatizou.
Além da crítica ao cenário musical, Duarte fez uma reflexão sobre a evolução das redes sociais, que segundo ele deixaram de ser plataformas de relacionamento para se tornarem essencialmente espaços de consumo. “A rede social morreu. Rede social era na época do Orkut. Hoje, no TikTok, a maioria das pessoas que você segue não são seus amigos, são influenciadores. Então não é mais rede social, é rede comercial”, provocou.
O executivo também abordou o crescimento da chamada “creator economy”, apontando-a como uma das grandes apostas econômicas da próxima década. Ele acredita que o mercado de criadores de conteúdo pode movimentar até seis trilhões de dólares até 2030, superando em muito as estimativas atuais. Segundo Duarte, essa expansão será impulsionada por tendências como o social commerce e o live shopping, que transformam as redes em vitrines de consumo em tempo real.
Para ele, compreender esse novo ecossistema de forma profissional é essencial para qualquer pessoa, empresa ou governo que deseje se manter competitivo. “Se você não entende isso de maneira profissional, você perde a oportunidade de alavancar o negócio. Todo mundo está ali para consumir algo”, concluiu.
O Agenda Bahia é uma realização do jornal Correio e tem como tema nesta edição “Bahia Produtiva 2030: Destravando o Futuro Agora”. O evento reúne especialistas e lideranças para discutir inovação, produtividade e ambiente de negócios, com o objetivo de preparar o estado para um salto competitivo até 2030.
Com informações do Correio da Bahia.