Aposentados têm até sexta-feira para contestar descontos indevidos e garantir ressarcimento do INSS

Aposentados e pensionistas que identificaram descontos não autorizados em seus benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) têm até a próxima sexta-feira (20) para contestar as cobranças e garantir acesso ao acordo de ressarcimento criado pelo governo federal. A medida foi adotada após investigações da Polícia Federal (PF) apontarem um esquema de fraudes envolvendo descontos realizados sem autorização de milhões de segurados em todo o país.

De acordo com o INSS, mais de R$ 3,2 bilhões já foram devolvidos a aproximadamente 4,7 milhões de beneficiários. Após a contestação e análise do caso, os segurados que tiverem direito ao ressarcimento poderão aderir ao acordo administrativo e receber os valores corrigidos diretamente na conta bancária em até três dias úteis.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Como contestar os descontos

Para solicitar a devolução dos valores descontados entre março de 2020 e março de 2025, o segurado deve:

  • Consultar o histórico de descontos pelo aplicativo ou site Meu INSS, pela Central 135 ou em uma agência dos Correios;
  • Informar ao INSS que não reconhece a cobrança;
  • Aguardar a análise da entidade responsável pelo desconto, que terá até 15 dias úteis para apresentar justificativas;
  • Caso não haja resposta ou sejam constatados indícios de irregularidade, o sistema liberará a adesão ao acordo de ressarcimento.

A adesão ao acordo pode ser realizada exclusivamente pelo Meu INSS ou nas agências dos Correios. Quem concluir essa etapa receberá os valores corrigidos sem necessidade de ingressar com ação judicial.

O instituto ressalta que a adesão ao acordo continuará disponível após o prazo final da contestação. No entanto, os segurados que não registrarem a reclamação até 20 de junho perderão a oportunidade de participar do acordo administrativo.

Quem tem direito ao ressarcimento

Podem participar do programa aposentados e pensionistas que:

  • Contestaram os descontos e não receberam resposta da entidade responsável dentro do prazo legal;
  • Tiveram documentos considerados irregulares, como assinaturas falsificadas;
  • Sofreram descontos indevidos entre março de 2020 e março de 2025.

Segurados que já acionaram a Justiça também poderão aderir ao acordo, desde que ainda não tenham recebido os valores e desistam da ação judicial.

Já indígenas, quilombolas e beneficiários com mais de 80 anos terão o ressarcimento realizado automaticamente na folha de pagamento, sem necessidade de adesão ao acordo.

Fraude levou à criação de CPMI

As investigações da Polícia Federal apontaram que associações e entidades cadastravam aposentados e pensionistas sem autorização para efetuar descontos mensais nos benefícios pagos pelo INSS. Em diversos casos, foram identificadas assinaturas falsificadas e documentos considerados inválidos.

O caso ganhou repercussão nacional, provocou mudanças na estrutura da Previdência Social e levou à criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), responsável por apurar as responsabilidades dos envolvidos e dimensionar os prejuízos causados aos segurados.

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