A defesa do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno divulgou imagens da abordagem policial realizada durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão contra um adolescente investigado por tráfico de drogas. A operação ocorreu na residência do artista, localizada no Joá, na zona sudoeste do Rio de Janeiro.
O vídeo mostra a dinâmica da ocorrência registrada por volta das 23h20 do dia 21 de julho de 2025. Nas imagens, Oruam e um grupo de amigos aparecem sendo abordados por policiais que estavam em viaturas descaracterizadas. Segundo as investigações, os agentes relataram resistência e ofensas verbais durante a ação.
Policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) procuravam um adolescente que estaria na casa do rapper. O jovem é localizado e abordado pelos agentes, que o colocam em uma viatura após retirarem um cordão de seu pescoço.

As imagens também registram momentos de tensão após a apreensão do adolescente. Um dos amigos do cantor questiona a atuação dos policiais e acaba sendo agredido com chutes e um tapa no rosto. Em outro trecho do vídeo, Oruam aparece na sacada da residência arremessando pedras em direção aos agentes.
Durante o tumulto, o adolescente detido consegue abrir a porta da viatura e fugir. Os policiais percebem a fuga, mas não perseguem o suspeito naquele momento.
Ainda segundo o vídeo divulgado pela defesa, os agentes apontam armas para o grupo enquanto são hostilizados. Em determinado momento, Oruam se aproxima das viaturas com um celular na mão e bate quatro vezes no vidro de um dos carros. Cerca de 20 minutos após deixarem o local, os policiais retornam com reforço.
De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, Oruam e outro acusado de lançar pedras contra os policiais assumiram o risco de provocar a morte dos agentes. O artista é considerado foragido pela Justiça.
Mesmo com a condição de foragido, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro realizou nesta semana a audiência de instrução do processo em que o rapper e outras três pessoas respondem por tentativa de homicídio contra policiais civis. O procedimento marca o início da fase de instrução no Tribunal do Júri e tramita na 3ª Vara Criminal do TJ fluminense.
Durante a audiência, foram ouvidas testemunhas do caso, entre elas a noiva do artista, Fernanda Valença de Oliveira, o produtor Leandro de Souza Almeida e sete policiais civis.
Além da acusação de tentativa de homicídio contra dois policiais civis, Oruam também responde por resistência, desacato, ameaça e dano qualificado. Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira, Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais e Victor Hugo Vieira dos Santos também são réus no mesmo processo.
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e aceita pela Justiça. Segundo a promotoria, os acusados lançaram pedras contra os agentes durante a operação, assumindo o risco de provocar mortes.
Oruam também é investigado por suposta associação à organização criminosa Comando Vermelho. O líder da facção, Marcinho VP, é pai do rapper. Em abril deste ano, o Ministério Público denunciou Oruam, Marcinho VP, Márcia Gama Nepomuceno e outras nove pessoas por um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa.