Delegada recém-empossada é presa em São Paulo por suspeita de ligação com o PCC

A delegada Layla Lima Ayub, de 30 anos, foi presa nesta sexta-feira (16) em São Paulo durante uma operação do Ministério Público, sob acusação de manter vínculos pessoais e profissionais com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, ela teria atuado irregularmente como advogada em audiências de custódia, defendendo presos ligados à facção, mesmo após assumir o cargo de delegada em dezembro de 2025.

Foto: Divulgação.

Layla tomou posse em solenidade realizada no Palácio dos Bandeirantes, acompanhada do namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, apontado pelas autoridades como integrante do PCC e chefe do tráfico de armas e drogas em Roraima. A Justiça decretou a prisão temporária do casal, que é investigado por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Além das prisões, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Marabá (PA). Um dos locais alvo da operação foi a Academia da Polícia Civil, no Butantã, onde Layla mantinha um armário.

De acordo com o Ministério Público, apenas nove dias após tomar posse como delegada, Layla teria atuado como advogada na defesa de quatro integrantes do PCC presos em flagrante no Pará. A prática é proibida pelo Estatuto da Advocacia e por normas estaduais, que vedam a delegados o exercício da advocacia privada.

Promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) suspeitam que Layla usava o cargo para favorecer interesses da facção, aproveitando o acesso a inquéritos e bancos de dados restritos. As investigações também apontam que ela e o namorado teriam adquirido uma padaria em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, com dinheiro de origem ilícita, utilizando um “laranja” para ocultar a propriedade.

O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio Costa, afirmou que o caso mostra como o crime organizado tenta se infiltrar em carreiras públicas, mas destacou que os setores de inteligência têm atuado para coibir essas práticas em São Paulo.

Com informações do G1

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