A desapropriação de uma área de 6 mil m² no Campo Grande, em Salvador, para a construção do novo trecho do metrô tem gerado apreensão entre famílias que vivem há décadas na região. Apesar da publicação do decreto de utilidade pública em dezembro de 2025, muitos moradores afirmam não ter recebido qualquer notificação oficial sobre a necessidade de deixar suas casas.

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Entre os afetados está Elson Rodrigues Alves, de 69 anos, que mora há mais de 35 anos em uma vila próxima à Avenida Santa Rita. Ele relata ter descoberto pela imprensa que sua residência pode ser alvo da desapropriação e vive a angústia de não saber para onde irá caso precise sair. “Vivemos na apreensão de não saber para onde vamos. Não recebemos nenhum documento, ninguém veio falar com a gente”, disse.
O projeto prevê a construção do Tramo 4 da Linha 1, que ligará a Estação da Lapa ao Campo Grande em um percurso subterrâneo de 1,2 km. O contrato de gerenciamento das obras, no valor de R$ 44,4 milhões, foi firmado com o Consórcio NRS, formado por três empresas de engenharia, e terá duração de 40 meses. O custo total da obra está estimado em cerca de R$ 2 bilhões.
Apesar da exigência legal de indenização prévia, justa e em dinheiro, moradores de imóveis irregulares temem não serem compensados. O advogado Alan Souza, do Instituto Baiano de Direito Imobiliário, explica que mesmo áreas consideradas “invasões” podem ter direito a indenização, especialmente em casos de posse prolongada. “O fato de muitos moradores não pagarem IPTU ou viverem em áreas informais não elimina automaticamente seus direitos”, afirmou.
Enquanto aguardam esclarecimentos da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), responsável pelo projeto, famílias como a de Osvaldino Nascimento de Jesus, que vive há 20 anos na região com oito parentes, convivem com a incerteza. “Ninguém apareceu aqui ainda para nos falar nada. Ficamos na esperança de que alguém apareça para dar uma orientação”, disse.
A falta de comunicação oficial tem ampliado o clima de insegurança entre os moradores, que temem não apenas perder suas casas, mas também serem deslocados para áreas mais vulneráveis da cidade.
Com informações do Correio da Bahia.