Porto Seguro paga recompensa a pescadores para combater avanço do peixe-leão na Bahia

Iniciativa oferece R$ 10 por exemplar capturado; 442 animais foram entregues ao projeto em agosto, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente

O avanço do peixe-leão (Pterois volitans) no litoral da Bahia levou o município de Porto Seguro, no Extremo Sul do estado, a criar uma iniciativa para incentivar a retirada da espécie invasora do mar. A ação conta com a participação de pescadores, pesquisadores, órgãos ambientais e diferentes setores da administração municipal.

Uma das estratégias adotadas é o pagamento de uma recompensa de R$ 10 por exemplar capturado e entregue à Colônia de Pescadores Z-22, em Porto Seguro.

Nativo da região indo-pacífica, o peixe-leão é uma espécie invasora que não possui predadores naturais conhecidos no litoral brasileiro. Sua presença representa uma ameaça à biodiversidade marinha, uma vez que o animal pode predar espécies nativas e desequilibrar os ecossistemas.

Além dos impactos ambientais, o peixe-leão também oferece riscos aos seres humanos. Seus espinhos possuem uma toxina capaz de provocar dor intensa, vermelhidão, febre e, em casos mais graves, convulsões.

Foto: iStock

Biodiversidade ameaçada

No Extremo Sul da Bahia, a preocupação com a proliferação da espécie é ampliada pela diversidade de habitats marinhos e pela importância ecológica da região. Porto Seguro está situada em uma área de plataforma continental mais extensa, associada aos bancos Royal Charlotte e próxima ao arquipélago de Abrolhos.

A região reúne ambientes recifais, bancos de rodolitos e uma grande variedade de peixes e invertebrados, o que reforça a necessidade de monitoramento e controle da espécie invasora.

A iniciativa começou a ser estruturada após os primeiros registros do peixe-leão na região, no fim de 2025. Em agosto, primeiro mês de funcionamento do programa de incentivo, 442 exemplares foram entregues ao projeto, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Os animais foram encaminhados à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), onde passam por triagem, biometria e outros estudos científicos.

Segundo a secretaria, o número de exemplares entregues ao projeto não corresponde à quantidade total de peixes-leão retirados do litoral de Porto Seguro. Os pescadores atuam em diferentes pontos da região, e os animais encaminhados à iniciativa são provenientes de áreas distintas.

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