Bahia registra aumento de internações de bebês por vírus respiratório e acende alerta para bronquiolite

A Bahia tem registrado crescimento nas hospitalizações de crianças menores de 2 anos por infecção pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite. O avanço dos casos preocupa especialistas e segue uma tendência nacional de alta nas infecções respiratórias graves entre o público infantil.

De acordo com o boletim InfoGripe, da Fiocruz, houve aumento de ocorrências de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças pequenas em quatro das cinco regiões do país, incluindo o Nordeste. A análise indica que o VSR é o principal responsável pela elevação das internações nessa faixa etária, especialmente entre bebês e crianças de até dois anos.

Dados do Ministério da Saúde apontam que o vírus está associado a cerca de 75% dos casos de bronquiolite, sendo uma das principais causas de internação infantil no Brasil. A doença é caracterizada pela inflamação dos bronquíolos pequenas ramificações dos brônquios, com menos de 1 milímetro de diâmetro, fundamentais para a condução de ar nos pulmões.

O pneumologista e diretor de Assuntos de Saúde Pública da Associação Bahiana de Medicina (ABM), Guilhardo Fontes, alerta que crianças pequenas e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis. Segundo ele, a maior incidência em crianças ocorre devido ao sistema imunológico ainda em desenvolvimento, mas o vírus também pode afetar adultos, especialmente os mais velhos.

Como resposta ao cenário, o Ministério da Saúde ampliou, em dezembro do ano passado, as estratégias de prevenção no Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as medidas está a vacinação de gestantes a partir da 28ª semana de gestação, permitindo a transferência de anticorpos ao bebê ainda durante a gravidez e garantindo proteção nos primeiros meses de vida.

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

A vacina contra o VSR foi viabilizada por meio de parceria com o Instituto Butantan, com transferência de tecnologia para produção nacional. Desde dezembro de 2025, mais de 1,6 milhão de doses já foram distribuídas em todo o país.

Outra estratégia adotada foi a incorporação do nirsevimabe ao SUS, em fevereiro deste ano. O anticorpo monoclonal oferece proteção imediata contra o vírus e é destinado principalmente a recém-nascidos prematuros e crianças de até 23 meses com comorbidades, considerados grupos de maior risco. Até o momento, cerca de 300 mil doses foram distribuídas.

No campo regulatório, a Anvisa aprovou recentemente a ampliação do uso da vacina Arexvy, permitindo sua aplicação em adultos a partir dos 18 anos. O imunizante utiliza tecnologia de proteína recombinante e é indicado para prevenir doenças respiratórias causadas pelo VSR.

Especialistas destacam que, embora mais comum na infância, o vírus circula em todas as faixas etárias e pode causar complicações relevantes. Em crianças pequenas, os principais sinais de alerta incluem dificuldade para respirar, chiado no peito, cansaço, recusa alimentar e febre.

Diante do aumento dos casos, a orientação é que pais e responsáveis mantenham a vacinação em dia e busquem atendimento médico ao surgimento dos primeiros sintomas, especialmente em bebês. A prevenção segue como a principal estratégia para reduzir hospitalizações e evitar quadros mais graves.

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