A gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT) está sendo marcada por um cenário de disputas internas e uma série de culpas atribuídas a fatores externos. Nos bastidores do Centro Administrativo da Bahia (CAB), a secretária de Saúde, Roberta Santana, tem gerado desconforto entre os integrantes do primeiro escalão. De acordo com fontes, o governador tem evitado despachar com seus secretários, sendo mais acessível a Roberta, que, além de sua área, também opina sobre outros setores do governo. Alguns indicam que Jerônimo pretende transferir a secretária para a Casa Civil, mas esbarra na resistência de Afonso Florence, atual titular do cargo.

Foto: Antonio Queirós/GOVBA.
Governador busca culpados para a crise política
Em meio à queda de popularidade do presidente Lula (PT), Jerônimo tem procurado culpados para a situação. Recentemente, ele responsabilizou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela baixa popularidade de Lula, alegando que o PT “está pagando a conta pelas mazelas do governo anterior”. Seguindo essa linha, é possível inferir que o governador também poderia atribuir sua própria avaliação negativa no estado à herança deixada por seu antecessor, Rui Costa (PT), embora ele tenha evitado essa culpa direta.
Além de Bolsonaro, Jerônimo tem culpado prefeitos pela fila da regulação, uma responsabilidade estadual, e mencionado que a crise na segurança pública é um problema de âmbito nacional e até internacional. Esse repertório de culpados já está sendo considerado limitado, à medida que a gestão se arrasta.
Ministro Rui Costa é criticado por colegas
No cenário federal, o ministro Rui Costa, baiano e ex-governador da Bahia, também enfrenta críticas. O senador Ciro Nogueira (PP) declarou que Rui não tem apoio dos ministros em Brasília, afirmando que ele “não coordena nada no governo”. Deputados federais baianos compartilham dessa avaliação, apontando a falta de execução de políticas públicas e ações do governo federal.
Estratégias questionáveis e aumento do custo do governo
No âmbito estadual, o governo de Jerônimo também tem gerado questionamentos sobre suas estratégias políticas. A divulgação quase diária de adesões de prefeitos à base de apoio do governador é vista com estranheza, já que muitos desses gestores pertencem a partidos do grupo petista ou sequer estavam no estado durante as eleições de 2022. Essa movimentação tem sido vista por muitos como uma tentativa de minimizar a baixa avaliação de Jerônimo, que segue em sintonia com a queda de popularidade de Lula.
Além disso, o custo da máquina pública subiu drasticamente desde a chegada de Jerônimo ao Palácio de Ondina. Em 2022, o governo gastava R$ 16,6 bilhões com manutenção e custeio, mas esse valor saltou para R$ 19,6 bilhões em 2023 e R$ 24 bilhões em 2024. Apesar do aumento expressivo nos gastos, não há indicações claras de melhorias nos serviços prestados à população.
Busca por sucata e aumento de tarifas
O governo também tem sido criticado pela busca de equipamentos usados, como embarcações para o sistema Ferry-boat, que, após uma licitação infrutífera, resultou em uma licitação deserta. A insistência em adquirir sucatas, como trens antigos para o VLT de Salvador, tem levado Jerônimo a ser apelidado de especialista no tema.
Em relação ao transporte público, depois de contestar o aumento da tarifa de ônibus em Salvador, Jerônimo agora estuda um aumento agressivo na tarifa do metrô, passando de R$ 4,10 para R$ 5,60, uma medida que visa compensar o prejuízo anual do sistema.
Movimentos políticos familiares em Itabuna
Enquanto isso, na política local, o prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), está se preparando para lançar sua esposa, Andrea Castro, na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) em 2026. Após um recuo em 2022, o prefeito agora prioriza a eleição de sua esposa, demonstrando que, apesar dos desafios enfrentados por sua gestão, a família continua a ser central em seus planos políticos.
Com informações do Correio da Bahia.