Filme: Homem-Aranha: Um Novo Dia

Atualizado em: 12/10/2026

Por Djanga Baiana (o “D” é mudo)

O que falar de um filme do Homem-Aranha? Em uma busca rápida no Google, sem confirmação nenhuma, encontrei que, dentre trilogias, animações e 37.000 filmes dos Avengers, temos 57 milhões filmes de Homem-Aranha. Todos são legais, bons entretenimentos, e só quem reclama é quem leva os quadrinhos a sério demais e quer cagar regra. Calma pessoal, é um filme.

Esse novo Homem-Aranha é ótimo, como esperado, o melhor até então. Elenco que conquista, enredo bacana, efeitos convincentes… O que mais me impressionou foi que a indústria cinematográfica nos empurrou Zendaya goela abaixo como uma diva bonita e agora eu consigo enxergá-la bonita (em alguns ângulos). Isso foi, de fato, impressionante.

Entretanto, como eu não tenho nada a dizer sobre o filme em si, o que seria esperar muito da minha capacidade de espremer um limão para fazer uma limonada, prefiro falar sobre as interessantes mudanças pelas quais Peter Parker está passando na fase adulta de sua vida.

O nosso “amigo da vizinhança”, que sempre quis fazer parte de um grupo, se vê completamente fora dele. A base do enredo é que seus “sentidos-aranha” começam a dominar seu organismo de forma incontrolável, resultando em dores de cabeça fortes e constantes, hipersensibilidade a tudo, descontrole, cansaço extremo, dentre outros sintomas de ansied… de alterações aracnídeas. Fica evidente que Parker está passando por “dores do crescimento” e pela solidão que as costumam acompanhar, pois só cabe a ele enfrentá-las.

E o nosso herói, neste novo filme, não conta com nenhuma rede de apoio, a não ser suas próprias teias. Sua família de sangue (Tia May) e de coração (Tony Stark [caiu uma lágrima do seu olho. Eu vi!]) não está mais entre nós. Seus amigos e o amor da sua vida, por ocasião de um desejo altruístico seu, tiveram-no apagado magicamente de suas memórias (outro filme).

Então, tudo é acentuado por lhe faltar uma válvula de escape e pela vida reduzida a combater crimes. Ele passa a ser apenas uma parte de si: o Homem-Aranha. Isso faz com que foquemos no que acontece com a pessoa por trás da máscara, que é o que importa.

Tudo bem que todos tenhamos máscaras sociais que colocamos conforme a situação as pede. Entretanto, tem que haver um momento em que nos despimos de todas elas para sermos apenas nós. Não podemos deixar que se tornem o nosso rosto a ponto de não conseguirmos removê-las. Precisamos, em algum momento, nos enxergar como somos, nos despir, nos expor e nos aceitar.

O Homem-Aranha, neste filme, passa por isso. Sua máscara não sai, nem quando a tira. Ele continua focado em ser o Homem-Aranha porque não sabe o que ser além disso. Peter Parker está enterrado, escondido, trancado em seu interior, afinal, sem sua parte humana, não há sofrimento. Mas ele está enganado e, infelizmente (ou felizmente), não temos a capacidade de nos esconder de nós mesmos. Tudo virá à tona uma hora, de forma que você não pode conter.

Viver apenas de personagens é a epítome da solitude.  E quem está habituado a viver assim não percebe mais o peso da máscara, apenas a exaustão e as dores físicas e psíquicas decorrentes dela. Se esconder torna-se uma zona de conforto, que nem sempre é um lugar bom e agradável, como o nome sugere. É o lugar a que se está habituado. Pode ser um limbo, pode ser um inferno, mas você não sai de lá por medo do desconhecido.

E Peter quer continuar agarrado ao que lhe é conhecido, fazendo de tudo para evitar que o DNA-aranha evolua, acreditando que, para vencer seus vilões (externos ou internos), precisa, primeiro, alcançar a alquimia perfeita de suas capacidades. Mas esse é o caminho para se permanecer estagnado. Os “vilões” irão aparecer, estando você pronto ou não. É justamente esse embate imprevisível com a vida que nos torna quem somos e quem seremos. A mudança é incontornável.

Quem não muda vira prisioneiro da própria mente. Assim, não é possível se fortalecer nem amadurecer. O medo de se ver ou de ser visto como somos, nos faz recolher-nos, porque sentir-se incompreendido é a pior parte de qualquer sofrimento, é a solidão de sentir o que não se explica, o que não se pode compartilhar.

Foi compreendendo isso que nosso herói descobriu que poderia ser ambos: o que ele era, Peter Parker, e o que ele evoluiu para ser, o Super-Homem-Aranha, ambos em seu modo absoluto, sem conter nenhuma parte de quem ele era. E o monstro que ele temia se tornar nunca foi um monstro, foi apenas o medo do desconhecido.

A mudança não mudará sua essência. A única coisa entre você e sua evolução é a sua própria hesitação. Você não vai se perder por aceitar que não é mais o que foi no passado. Você se tornou e se tornará aquilo que o seu caminho o levou a ser. E, nesse caminho, você não estará sozinho. Ninguém faz nada sozinho. Nem o fantástico Homem-Aranha. Então seja o alguém de alguém.

Homem e Aranha. Seja os dois.

FONTES / CRÉDITOS:

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba nossas notícias diretamente em seu email.

Inscrição realizada com sucesso Ops! Não foi possível realizar sua inscrição. Verifique sua conexão e tente novamente.

Anuncie aqui

Fale conosco