Alvo de investigação sobre suposta campanha de ataques ao Banco Central, empresário diz que encerrará ciclo profissional após dez anos à frente da Mithi
O publicitário Thiago Miranda anunciou o encerramento das atividades da agência Mithi e afirmou que fará um ano sabático. O comunicado foi divulgado poucos dias após ele se tornar alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF) que apura uma suposta campanha de ataques ao Banco Central, supostamente articulada em benefício do banqueiro Daniel Vorcaro.
Em publicação nas redes sociais, Miranda afirmou que decidiu encerrar um ciclo profissional após dez anos à frente da empresa.

“Estou cansado. Foram dez anos ininterruptos, vivendo a agência 24 horas por dia, sem parar. Agora, quero aproveitar um ano sabático antes de pensar no meu próximo negócio. Estou bem, feliz e profissionalmente realizado”, escreveu.
No comunicado, o publicitário destacou que, ao longo da trajetória da Mithi, liderou estratégias para nomes influentes da política, participou da gestão de crises nacionais e internacionais e classificou o encerramento da agência como o fim de “um dos ciclos mais marcantes da comunicação brasileira”.
A Polícia Federal investiga a suposta atuação de Thiago Miranda em uma campanha para atacar o Banco Central. Segundo as investigações, ele teria sido contratado para atuar na gestão de crise de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, e celulares e equipamentos eletrônicos do publicitário foram recolhidos.
A PF também apura contratos da agência Mithi com influenciadores digitais que, juntos, somavam até R$ 8 milhões. De acordo com a investigação, os acordos teriam sido suspensos após o início da apuração, em janeiro.
Defesa nega qualquer irregularidade
Em nota divulgada no dia da operação, em 9 de julho, a defesa de Thiago Miranda afirmou que o publicitário “refuta de forma categórica” qualquer prática ilegal.
Segundo os advogados, a atuação profissional do empresário sempre foi pautada pela legalidade, transparência, respeito às instituições e à liberdade de expressão. A defesa sustenta que Miranda não praticou qualquer ato criminoso nem participou de ações destinadas a intimidar, coagir ou violar direitos de terceiros.
Os advogados também ressaltam que a existência de uma investigação não representa reconhecimento de culpa e defendem que sejam respeitados o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.