Por Djanga Baiana (o D é mudo).
Uns dirão que é leve demais, outros dirão que é leve na medida certa. Eu faço parte deste último grupo.
O filme foi feito para uma classificação etária de 12 anos, fazendo com que muitas coisas da realidade do astro não pudessem ser mostradas. Entretanto, isso faz com que uma geração mais nova conheça quem foi Michael Jackson, sem deixar de dar aquele toque de nostalgia para a geração que o viveu, o consumiu e o adorou.
Os abusos, que todos sabemos terem sido bárbaros, ficam velados, direcionando o filme para um Michael aflorando, transformando-se em seu próprio ser, ávido por liberdade.

Quando inicia sua carreira solo, a magia começa e ninguém o contém mais. Aí dá vontade de saltar da cadeira (como algumas pessoas têm feito), se mexer, cantar e principalmente sentir (“não sei o que dizer, só sentir”; MIRANDA, Roberta).
O filme mostra um Michael doce, sem tocar nas polêmicas, sem ir a fundo nas feridas e nas dores. Mostra o Michael que ficou em nossas memórias, aquele ser quase celestial.
Se me perguntarem: vale a pena assistir? Vale! O sobrinho dele, que o interpreta, o faz com maestria; e você enxerga o próprio Michael Jackson. Algumas pessoas reclamaram que foram usados efeitos para deixá-lo mais parecido com o cantor e tio, como se isso tirasse o mérito de sua atuação. Mas o que querem? Que o garoto faça uma rinoplastia? Tudo é muito bem-feito e isso é que importa.
O ponto central é ver um Michael feliz, um ser humano diferente, daqueles que aparecem de cometa Halley em cometa Halley. É entender minimamente como sua cabeça funcionava e como nenhuma outra funcionaria igual. É sair do cinema querendo gritar “hi, hi”, “hoo, hoo”, sacudir os ombros e bater palmas como em Thriller. Ou fazer aquele moonwalk, que todos nós tentamos fazer – e sai bem malfeito, ou melhor, não feito.
É um filme familiar e merece aplausos. Aplausos por nos lembrar dos gênios deste mundo, dos bons tempos, das boas memórias e da resiliência, que, por mais árdua e solitária que seja, pode ser positiva, alegre e dançante.
Ponto de atenção: não assista se você não quiser passar uma semana cantarolando alguma música de Michael. A minha foi: I’ll be theeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeere… Um inferno para todos à minha volta.