Em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (9) estar “profundamente preocupado” com os impactos do conflito na economia global. Segundo ele, a guerra na região deve provocar aumento no preço dos combustíveis em diversos países.
A declaração foi feita no Palácio do Planalto, durante cerimônia de recepção ao presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, em visita de Estado ao Brasil.
De acordo com Lula, a intensificação do conflito, que envolve o Irã e ataques realizados por Estados Unidos e Israel, já provoca reflexos no mercado internacional. As tensões também têm mobilizado outros países da região, como Catar, Emirados Árabes Unidos e Líbano.

“Por conta da guerra do Irã, o preço do combustível já está subindo em quase todo o mundo e deve aumentar em todos os países”, afirmou o presidente. Para ele, conflitos dessa natureza afetam diretamente cadeias globais estratégicas. “Esses conflitos produzem efeitos sobre a cadeia de energia e alimentos”, completou.
Durante o encontro, Lula também defendeu que os países ampliem a preparação militar diante do atual cenário internacional e citou a possibilidade de parcerias entre Brasil e África do Sul para exploração de minerais críticos e terras raras.
O governo brasileiro avalia que o país não deve atuar apenas como exportador dessas matérias-primas. A intenção do Palácio do Planalto é incentivar que o processo de industrialização desses recursos ocorra em território nacional, agregando valor à produção industrial brasileira.
Impactos no mercado internacional
O preço do combustível fóssil registrou aumento de 35% na última semana de conflito e acumula alta de 103% em comparação com dezembro de 2025. Nas bolsas globais, o impacto foi imediato: mercados asiáticos registraram quedas próximas de 6%, enquanto as bolsas europeias operam em forte baixa nesta segunda-feira (9).
No Brasil, especialistas avaliam que o impacto tende a ser mais moderado. Países como China, Coreia do Sul e Japão já anunciaram planos de emergência para tentar reduzir os efeitos da alta do petróleo sobre suas economias.
Aumento em postos do Distrito Federal
Na última quinta-feira, postos de combustíveis do Distrito Federal anunciaram reajustes nos preços. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do DF (Sindcombustíveis-DF), as distribuidoras passaram a entregar o diesel com aumento de R$ 0,20 por litro, enquanto a gasolina teve acréscimo de R$ 0,03 por litro.
Posicionamento da Petrobras
Mesmo com o agravamento das tensões internacionais, a Petrobras informou que suas operações seguem seguras e com custos competitivos, uma vez que utiliza rotas de importação fora da área de conflito.
“Os fluxos de importação da Petrobras são majoritariamente fora da região de crise, e as poucas rotas existentes podem ser redirecionadas”, informou a estatal.
O posicionamento gerou diferentes avaliações no setor. O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, afirmou que a Petrobras deve aguardar a estabilização do cenário antes de tomar decisões sobre reajustes. Ainda assim, ele destacou que já se espera um movimento de alta por parte de refinarias privadas.