Após anos de buscas, o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, foi preso na manhã desta quinta-feira (26) em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A operação foi conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/RJ), formada por agentes da Polícia Federal, Polícia Civil e Ministério Público Federal. O monitoramento por drones confirmou o local onde o contraventor estava.

Foto: Divulgação.
Considerado um dos principais nomes da contravenção no estado, Adilsinho integra a cúpula do jogo do bicho e controla áreas da Zona Sul, Centro e Zona Norte da capital. Além disso, é apontado como o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados no Rio de Janeiro. Contra ele havia cinco mandados de prisão em aberto, incluindo acusações de homicídios e participação em grupo de extermínio.
Durante a ação, também foi preso o policial militar Diego D’arribada Rebello de Lima, que fazia a segurança de Adilsinho e atuava na UPP Fazendinha/Alemão.
Operação Libertatis
A prisão ocorre no âmbito da Operação Libertatis, deflagrada pela Polícia Federal em 2023 e ampliada em 2025. Na primeira fase, agentes encontraram uma fábrica clandestina de cigarros em Duque de Caxias, onde 19 paraguaios trabalhavam em condições análogas à escravidão. As investigações revelaram que a quadrilha de Adilsinho controlava a venda de cigarros falsificados em 45 dos 92 municípios do estado, movimentando bilhões e causando prejuízos fiscais de mais de R$ 2 bilhões apenas no Rio.
Histórico criminal
Adilsinho já havia sido alvo de operações anteriores, como a Furacão (2009), que investigou a cúpula do jogo do bicho e máquinas de caça-níquel, e a Dedo de Deus (2011), quando foram encontrados R$ 4,6 milhões escondidos em sua casa na Barra da Tijuca. Durante a pandemia, chegou a organizar uma festa luxuosa para 500 convidados no Copacabana Palace, reforçando sua imagem de ostentação.
Além da contravenção, o bicheiro também se envolveu em atividades culturais e esportivas. Fundou o Clube Atlético Barra da Tijuca, que disputou divisões inferiores do campeonato estadual, e é patrono da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro.
Defesa
O advogado de Adilsinho, Ricardo Braga, afirmou que a prisão ocorreu de forma tranquila e que o cliente confia na Justiça para provar sua inocência. Segundo a defesa, ele estava se exercitando em casa por orientação médica no momento da captura.
A prisão de Adilsinho representa um dos maiores golpes recentes contra o jogo do bicho e a máfia do cigarro no Rio de Janeiro, encerrando uma longa trajetória de fugas e operações frustradas.
Com informações do G1.