Saulo Láuar, de 42 anos, primo do desembargador Magid Nauef Láuar, denunciou nesta terça-feira (24) ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uma tentativa de abuso sofrida quando tinha 14 anos. Segundo o relato, logo após o episódio, o magistrado teria telefonado pedindo que o caso não fosse revelado, alegando que se tratava de “uma brincadeira” e “um momento de estresse”.

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A denúncia ganhou repercussão porque Magid Láuar foi relator de um julgamento recente que absolveu um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos. Na decisão, o desembargador considerou que havia um “vínculo afetivo consensual” entre réu e vítima, derrubando a condenação de primeira instância de nove anos e quatro meses de prisão. A posição foi acompanhada pelo desembargador Walner Barbosa Milward de Azevedo, formando maioria na 9ª Câmara Criminal do TJMG.
Saulo afirmou que o episódio da adolescência o marcou profundamente e que a decisão de absolvição o fez reviver o trauma. “Eu entendi que essa dor não é minha. É coletiva. Minha história não é mais relevante que das outras pessoas. Mas pelo fato da decisão de absolvição ter partido dele, me senti revivendo tudo e eu não podia mais me omitir”, declarou.
O caso original envolvia um homem com passagens por homicídio e tráfico de drogas, que admitiu manter relações sexuais com a adolescente. A mãe da menina também foi denunciada por permitir o relacionamento. Ambos haviam sido condenados em primeira instância, mas foram absolvidos em recurso.
Até o momento, o desembargador Magid Nauef Láuar não se pronunciou sobre as acusações feitas pelo primo. O episódio amplia a polêmica em torno da decisão judicial e deve ser analisado pelo CNJ.
Com informações do G1.