O Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) consolidou-se como a organização criminosa mais poderosa do México em menos de uma década. Criado inicialmente como braço armado do Cartel de Sinaloa, o grupo ganhou notoriedade pela violência extrema e pela capacidade de ocupar rapidamente os espaços deixados por rivais enfraquecidos.

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A ascensão foi marcada por episódios sangrentos, como o massacre de 35 pessoas em Veracruz em 2011, quando ainda se chamava Mata Zetas. Com a morte de Ignacio Coronel, o El Nacho, fundador do braço armado, Nemesio Oseguera Cervantes, o El Mencho, assumiu o comando e transformou o grupo em cartel independente. A partir daí, o CJNG expandiu-se por mais da metade do território mexicano, expulsando os Zetas de Jalisco e derrotando os Cavaleiros Templários em Michoacán.
O cartel diversificou suas atividades, tornando-se protagonista no tráfico de heroína, cocaína, metanfetamina e fentanil para os Estados Unidos, além de atuar na Europa e Ásia. Também se envolveu em extorsões em áreas agrícolas e de mineração, e em negócios de pecuária e construção para lavar dinheiro. Seu braço financeiro, Los Cuinis, liderado pelo cunhado de El Mencho, estruturou sofisticadas operações de lavagem, incluindo uso de criptomoedas e redes internacionais.
A violência foi um dos principais instrumentos de expansão. El Mencho construiu sua reputação esmagando rivais e mantendo rígido controle sobre alianças, sem permitir que nenhuma célula se fortalecesse a ponto de desafiar o poder central.
Com sua morte em fevereiro de 2026, durante uma operação militar, o cartel enfrenta agora um período de incerteza. Não há sucessor claro: seu filho, Rubén Oseguera González, o El Menchito, foi extraditado para os Estados Unidos em 2020, e outros líderes não possuem legitimidade suficiente para assumir o comando.
Especialistas alertam que esse vácuo de poder pode desencadear disputas internas e intensificar a violência nos próximos meses. Como observa o pesquisador David Mora, “não há clareza absoluta — nem por laços de sangue, nem por conexões — que nos permita ver quem será o próximo. Esse realinhamento em Jalisco é uma grande incógnita”.
A história mostra que a queda de um líder não significa o fim de um cartel. O CJNG, com sua estrutura financeira e presença internacional, permanece uma força central no crime organizado, mas o futuro da organização dependerá de como se reorganizará sem El Mencho.
Com informações do G1.