O ex-diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master, Luiz Antonio Bull, declarou em depoimento à Polícia Federal que assinava documentos sem ler e que, apesar de ocupar o cargo de chefe da área de compliance, não exercia funções de monitoramento ou prevenção de irregularidades.

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Bull foi ouvido no fim de janeiro no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo banco. Segundo ele, o setor de compliance era parcialmente conduzido por um escritório de advocacia contratado, e não havia estrutura interna efetiva para garantir a governança da instituição.
O ex-diretor afirmou ainda não ter formação em compliance ou na área jurídica e disse que sua atuação era apenas “no papel”, sem participação em decisões estratégicas.
A investigação aponta que o Banco Master teria criado carteiras de crédito fictícias para inflar artificialmente seu patrimônio e viabilizar uma fusão com o Banco de Brasília (BRB). Estima-se que as irregularidades cheguem a R$ 12 bilhões.
Outro depoimento relevante foi o de Dário Oswaldo Garcia Jr, ex-diretor de Finanças e Controladoria do BRB, que disse não compreender como o banco público comprou carteiras de crédito sem lastro do Master. Após o escândalo, toda a diretoria do BRB foi substituída.
A operação já resultou na prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e no bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, alegando incapacidade de honrar compromissos.
O caso expõe falhas graves de governança e fiscalização, reforçando a necessidade de maior rigor nos mecanismos de controle interno do sistema financeiro.
Com informações do G1.