A Polícia Civil do Amazonas deflagrou nesta sexta-feira (20) uma operação para desarticular o núcleo político do Comando Vermelho (CV) no estado. As investigações revelaram uma rede complexa que contava com a colaboração de agentes públicos ligados ao executivo, legislativo e judiciário, além da utilização de empresas de fachada para movimentar valores oriundos do tráfico de drogas.

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Segundo a polícia, o esquema era responsável por trazer entorpecentes da Colômbia e distribuir pelo país a partir do Amazonas. A estrutura incluía operadores logísticos, financiadores e colaboradores com funções bem definidas. Estima-se que a quadrilha tenha movimentado cerca de R$ 70 milhões desde 2018.
Entre os presos estão a ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, três ex-assessores de vereadores, um servidor do Tribunal de Justiça e um policial militar. A lista inclui ainda investigadora da Polícia Civil e pessoas ligadas a movimentações financeiras suspeitas.
As empresas de fachada, nos ramos de transporte e locação, eram utilizadas para ocultar a movimentação financeira e dar suporte logístico ao tráfico. Carros alugados em nome de terceiros também dificultavam o rastreamento pelas autoridades. Além disso, há indícios de tentativas de acesso indevido a informações sigilosas de investigações policiais e judiciais, com o objetivo de antecipar ações e proteger o esquema criminoso.
O Tribunal de Justiça do Amazonas informou que já adotou medidas administrativas em relação ao servidor citado. A Polícia Militar declarou que o cabo preso responderá a procedimentos disciplinares internos e à Justiça. A Prefeitura de Manaus afirmou que não é alvo da operação e que eventuais servidores investigados responderão individualmente por seus atos.
A operação, que cumpriu 23 mandados de prisão em seis estados, evidencia como o crime organizado se infiltrou em diferentes esferas do poder público para sustentar o tráfico na região amazônica. Até a última atualização, 14 pessoas haviam sido presas.
Com informações do G1.