Redação do Enem 2025: mudanças nos critérios de correção geram queda nas notas e polêmica

A correção das redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 trouxe alterações práticas que impactaram diretamente o desempenho dos candidatos, segundo documentos e relatos de corretores. Embora o Inep negue oficialmente qualquer mudança nos critérios, especialistas apontam que houve ajustes em três pontos centrais: maior subjetividade na avaliação da coesão textual, punição mais severa na proposta de intervenção e ampliação do peso dado ao repertório sociocultural.

Foto: Érico Andrade.

Principais mudanças identificadas

  • Competência 1 (norma culta): não houve alteração formal; candidatos ainda podiam alcançar nota máxima mesmo com pequenos desvios gramaticais.
  • Competência 2 (compreensão da proposta): manteve exigência de repertório sociocultural pertinente, mas o combate a “modelos prontos” foi reforçado.
  • Competência 3 (seleção e organização): passou a dialogar com a competência 2. Repertórios considerados inválidos passaram a ser punidos em duas competências, ampliando a perda de pontos.
  • Competência 4 (coesão): critérios numéricos foram substituídos por classificações subjetivas (“regular”, “constante”, “expressiva”), retirando o referencial exato usado pelos corretores.
  • Competência 5 (proposta de intervenção): além da perda de 40 pontos por ausência de qualquer item, a falta do elemento “ação” passou a gerar punição maior, de 120 pontos.

Impacto nas notas

Estudantes que tradicionalmente alcançavam acima de 900 pontos viram suas notas cair para a faixa dos 700. Professores apontam que a dupla penalização do repertório e a subjetividade na avaliação da coesão textual foram os principais fatores para essa queda. Casos como o de Guilherme, que obteve 740 pontos após anos de desempenho superior, ilustram a insatisfação dos candidatos.

Contestação e desigualdade

O Inep insiste que não houve mudanças e que os critérios permanecem os mesmos, com dupla correção e possibilidade de terceira avaliação para garantir justiça. No entanto, a percepção de maior rigor e subjetividade gerou críticas, especialmente porque o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) passou a aceitar notas das três últimas edições do Enem. Alunos que estrearam em 2025 alegam desvantagem frente aos que tiveram notas avaliadas em anos anteriores.

Condições de trabalho dos corretores

Além das mudanças nos critérios, relatos apontam precarização no trabalho dos avaliadores, que recebem cerca de 3 reais por texto corrigido e chegam a analisar até 200 redações por dia. A comunicação falha durante os treinamentos também teria contribuído para inconsistências na aplicação das regras.

O episódio reacende o debate sobre transparência e equidade no processo de correção do Enem, considerado porta de entrada para universidades públicas.

Com informações do G1.

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