O resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) revelou que mais de 30% dos cursos de medicina do país tiveram desempenho insuficiente. O exame, aplicado a cerca de 39 mil estudantes do último ano, mostrou falhas em questões consideradas simples do atendimento médico, como diagnóstico de dengue, manejo de dor de cabeça e prescrição de medicamentos.

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Segundo relatório do Inep, 66% dos alunos erraram uma questão sobre sintomas graves de dengue, o que poderia levar pacientes a receberem alta inadequada em casos de risco de evolução para dengue hemorrágica. Outro exemplo foi uma questão sobre dor de cabeça persistente em uma paciente de 55 anos, cuja resposta correta seria solicitar exame de sangue para investigar inflamação nos vasos sanguíneos. Entre os reprovados, 65% não acertaram.
O exame também incluiu perguntas sobre doenças como Parkinson, exigindo reconhecimento de sintomas e indicação de medicamentos adequados. Mais da metade dos estudantes errou a prescrição.
O desempenho ruim levantou preocupações sobre a qualidade da formação médica no Brasil. Estudantes relataram falta de hospital-escola, excesso de alunos em estágios e professores sem especialização adequada. Instituições com notas baixas no Enamed poderão sofrer sanções do Ministério da Educação, como redução de vagas e proibição de novas matrículas.
O presidente do Conselho Federal de Medicina, José Hiran Gallo, defendeu a criação do Profimed, exame de proficiência obrigatório para obtenção do registro profissional, atualmente em tramitação no Congresso. Já representantes das universidades privadas contestaram os resultados, afirmando que o Enamed não reflete sozinho a qualidade dos cursos e que o sistema de avaliação é mais amplo.
O desempenho dos alunos e os erros em questões básicas acenderam um alerta sobre a necessidade de revisão na formação médica, diante do impacto direto que isso pode ter na saúde da população.
Com informações do G1.