A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), condenada pelo Supremo Tribunal Federal a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), compareceu nesta terça-feira (20) a uma nova audiência na Corte de Apelação em Roma. Durante a sessão, sua defesa solicitou a substituição dos magistrados responsáveis por decidir sobre o pedido de extradição ao Brasil, o que deve adiar novamente a definição do caso.

Foto: Nino Cirenza.
Zambelli fugiu para a Itália em maio de 2025, após a condenação definitiva, e foi presa em julho no bairro Aurelio, em Roma, em cumprimento a um mandado internacional expedido pela Polícia Federal. Desde então, permanece na penitenciária feminina de Rebibbia, após a Justiça italiana considerar haver risco de fuga.
A defesa sustenta que a ex-deputada é alvo de perseguição política e judicial no Brasil e apresentou documentos para reforçar essa tese, incluindo parecer da Comissão de Constituição e Justiça contrário à cassação de seu mandato. No entanto, o STF derrubou a decisão da Câmara dos Deputados e confirmou a perda do mandato.
Outro argumento utilizado pela defesa é a situação carcerária no Brasil. Em dezembro, a Justiça italiana suspendeu o julgamento para aguardar informações sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, onde Zambelli cumpriria pena caso fosse extraditada. O ministro Alexandre de Moraes enviou relatório detalhado sobre a unidade, destacando padrões de segurança, salubridade e assistência médica.
Em outubro, o Ministério Público italiano se manifestou favorável à extradição. Caso a Corte de Apelação decida pela entrega da ex-deputada ao Brasil, ainda caberá recurso à Corte de Cassação. A palavra final será do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que poderá autorizar ou negar o pedido. Se ambas as cortes rejeitarem a extradição, o ministro será obrigado a seguir a decisão.
Enquanto o processo não é concluído, Zambelli segue detida em Roma, aguardando os próximos desdobramentos judiciais.
Com informações do G1.