O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou nesta terça-feira (20) o tom crítico contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após meses de trégua. Durante a entrega de 1.276 casas do programa Minha Casa, Minha Vida em Rio Grande (RS), Lula afirmou que o norte-americano “quer governar o mundo por uma rede social”, em referência ao uso frequente de plataformas digitais por Trump.

Foto: Ricardo Stucker.
A declaração ocorre em meio a novos atritos diplomáticos. Recentemente, Trump convidou líderes internacionais, incluindo Lula, para integrar um “Conselho da Paz” voltado à Faixa de Gaza. O governo brasileiro ainda avalia se participará da iniciativa, enquanto aliados do presidente destacam que não estão claras as intenções do norte-americano com a proposta.
Desde que os EUA reduziram tarifas sobre produtos brasileiros em 2025, Lula havia suavizado o discurso em relação a Trump, chegando a afirmar que havia “química” entre os dois. No entanto, o petista voltou a criticar a atuação americana, especialmente após publicar artigo no jornal The New York Times questionando a postura dos EUA na Venezuela.
Além das críticas a Trump, Lula também defendeu maior rigor na regulamentação das redes sociais e das plataformas de apostas online, apontando riscos sociais e econômicos.
Reconstrução no Rio Grande do Sul
O evento em Rio Grande marcou a entrega de moradias destinadas a famílias com renda de até R$ 2.850. Segundo o governo, cerca de 5 mil pessoas serão beneficiadas. Após as enchentes que devastaram o estado, o Executivo destinou R$ 6,5 bilhões em créditos extraordinários ao programa Minha Casa, Minha Vida Reconstrução. A modalidade “Compra Assistida” já permitiu a aquisição de imóveis para mais de 9,5 mil famílias.
Contexto eleitoral
As falas de Lula também ocorrem em meio ao cenário eleitoral de 2026. Pesquisas recentes apontam disputas acirradas entre o presidente e o governador gaúcho Eduardo Leite (PSD), que se apresenta como alternativa de centro com discurso voltado ao equilíbrio fiscal. Lula, por sua vez, mantém a defesa de políticas sociais e maior atuação do Estado na economia.
O episódio reforça como a política externa e os embates retóricos podem se tornar parte do debate eleitoral interno, especialmente em um ano marcado por reconstrução social e disputas de narrativa.
Com informações do G1.