A ideia de que algumas pessoas têm “sangue doce” e, por isso, são mais picadas por mosquitos, sempre circulou no imaginário popular. Um estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado na revista Frontiers in Ecology and Evolution, ajuda a esclarecer essa percepção: os mosquitos da Mata Atlântica estão, de fato, se alimentando mais de humanos, mas não por preferência biológica — e sim por conveniência.

Foto: Pexels.
O que a pesquisa mostrou
- Foram capturados 1.714 mosquitos de 52 espécies em reservas do Rio de Janeiro.
- Apenas 145 estavam “ingurgitados” (cheios de sangue).
- Em 24 casos foi possível identificar a origem da refeição: 18 eram de sangue humano.
- As demais vieram de aves, um anfíbio, um rato e um canídeo.
Ou seja, a maioria dos mosquitos analisados havia se alimentado de pessoas.
Por que isso acontece
Segundo os pesquisadores, não se trata de uma preferência natural pelo sangue humano. O que ocorre é:
- Perda de habitat: com o desmatamento e a ocupação humana, muitos animais desaparecem ou se afastam.
- Maior presença de humanos: em áreas antes florestadas, os mosquitos encontram mais pessoas do que fauna silvestre.
- Proximidade: a escolha do hospedeiro depende da disponibilidade. Com menos opções, os mosquitos acabam picando humanos com maior frequência.
Impactos para a saúde
Esse comportamento aumenta o risco de transmissão de doenças como dengue, zika, chikungunya, febre amarela, mayaro e sabiá. A mudança de hábitos dos mosquitos, associada à interferência humana na natureza, reforça a necessidade de políticas de controle mais eficazes.
E o “sangue doce”?
O estudo indica que não existe um “sangue doce” universalmente mais atraente. O que há são fatores ambientais e de proximidade que tornam os humanos alvos mais frequentes. Além disso, características individuais — como odor corporal, temperatura da pele e até genética — podem influenciar a atratividade de uma pessoa em relação aos mosquitos, mas não explicam sozinhas o fenômeno observado.
Em resumo: não é que os mosquitos “gostem mais” de humanos, mas sim que nós nos tornamos a fonte de sangue mais disponível em áreas onde a fauna foi reduzida.
Com informações do G1.