O dólar registrou em 2025 a maior queda em quase uma década, acumulando desvalorização de 10,29% frente ao real até o pregão do dia 29 de dezembro. A moeda norte-americana iniciou o ano cotada a R$ 6,16 e encerrou o período em patamar significativamente mais baixo, movimento que beneficiou não apenas o Brasil, mas também outras economias emergentes e avançadas, como a zona do euro, Japão e Reino Unido.

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Entre os fatores que explicam a trajetória de queda estão as políticas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O mercado esperava medidas imediatas de caráter protecionista, como cortes de impostos e aumento de tarifas, mas a implementação ocorreu de forma gradual. Em abril, o chamado tarifaço provocou volatilidade, mas não sustentou valorização da moeda. A incerteza sobre os rumos da economia americana levou investidores a reverem suas posições em dólar, ampliando operações de proteção cambial e pressionando ainda mais a moeda.
Outro elemento decisivo foi a política monetária do Federal Reserve. O banco central norte-americano iniciou cortes de juros apenas em setembro, reduzindo a taxa de 4,25% a 4,50% para 3,50% a 3,75% ao ano. Juros mais baixos diminuem o rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e incentivam investidores a buscar alternativas em mercados emergentes, favorecendo o real e a bolsa brasileira.
No cenário interno, a valorização do real foi impulsionada pela taxa básica de juros em patamar elevado, o maior em 20 anos, o que atraiu recursos externos. A condução firme da política monetária pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também reforçou a credibilidade da instituição. Apesar das preocupações iniciais com as contas públicas, houve melhora nas projeções de arrecadação e despesas, o que reduziu a percepção de risco e contribuiu para a valorização da moeda brasileira.
Para 2026, analistas apontam que fatores internos e externos continuarão a influenciar o câmbio. Nos Estados Unidos, há expectativa sobre a resiliência da inflação e o ritmo da economia, além da escolha de um novo presidente para o Federal Reserve, já que o mandato de Jerome Powell termina em maio. No Brasil, o início do ciclo de cortes de juros e o ano eleitoral devem concentrar a atenção dos investidores, especialmente em relação ao compromisso do governo com a estabilidade fiscal.
Em síntese, 2025 foi marcado por uma combinação de políticas americanas, decisões do Fed e fatores internos que resultaram na queda expressiva do dólar. O desafio para o próximo ano será manter a confiança dos investidores em meio às incertezas políticas e econômicas.
Com informações do G1.