As negociações entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, realizadas no domingo (28) em Mar-a-Lago, na Flórida, mostraram que o caminho para a paz continua cheio de obstáculos. Após quase três horas de reunião, os líderes anunciaram que 90% dos termos de um plano de 20 pontos estão acordados, mas os 10% restantes seguem como entraves decisivos.

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Questões espinhosas
Os pontos que ainda impedem o avanço do acordo envolvem temas considerados cruciais:
- Concessões territoriais no Donbass, região do leste da Ucrânia ocupada pela Rússia.
- Destino da usina nuclear de Zaporizhzhia, também sob controle russo.
Trump sugeriu que a Ucrânia deveria ceder parte do território para evitar novas ofensivas russas. Zelensky, por sua vez, apresentou a ideia de transformar as áreas ocupadas em uma zona desmilitarizada com regime econômico especial, mas condicionou qualquer decisão a um referendo popular, a ser realizado somente após um cessar-fogo.
O impasse do referendo
A proposta de consulta à população traz riscos políticos para Zelensky. Caso fosse rejeitada, poderia representar uma derrota direta para sua liderança e abrir espaço para ganhos estratégicos de Vladimir Putin. Além disso, a Rússia se recusa a aceitar uma trégua antes de um acordo definitivo, o que inviabiliza a realização imediata do referendo.
Sem prazos definidos
Apesar do tom otimista nas declarações públicas, Trump e Zelensky não estabeleceram prazos para a conclusão do acordo. Ambos prometeram que suas equipes voltarão a se reunir nas próximas semanas. Trump admitiu que as negociações “podem dar errado”, mas afirmou acreditar que Rússia e Ucrânia estão “mais perto do que nunca” de um entendimento.
Cenário atual
Enquanto as conversas se arrastam, não há cessar-fogo em vigor. As linhas de frente permanecem abertas e a Rússia intensificou ataques recentes, aumentando a pressão sobre Kiev. O ciclo de impasses continua, com avanços limitados e sem cronograma claro para a paz.
Em resumo, os 10% restantes do plano concentram as questões mais delicadas: território e soberania. São justamente esses pontos que definem se o acordo será viável ou se continuará preso às evasivas diplomáticas.
Com informações do G1.