O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para a próxima terça-feira, 30 de dezembro, uma audiência de acareação entre o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O encontro também contará com a presença do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.

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A medida ocorre no âmbito do inquérito que apura fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o BRB. Toffoli é relator do caso, que tramita em sigilo no Supremo. A acareação foi confirmada pela defesa de Costa e pelo próprio STF.
Segundo a Polícia Federal, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de retorno até 40% acima da taxa básica do mercado, prática considerada irreal e que pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. Há indícios de participação de dirigentes do BRB no esquema.
Em março, o BRB chegou a negociar a compra de 58% do capital do Banco Master, em uma operação avaliada em aproximadamente R$ 2 bilhões, mas o negócio foi barrado pelo Banco Central.
Vorcaro foi preso em novembro durante operação da Polícia Federal, mas acabou solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Paulo Henrique Costa foi afastado do comando do BRB em 18 de novembro.
Histórico do Banco Master
Fundado em 1974 como Máxima Corretora de Valores, o Banco Master passou por diversas reorganizações até ser assumido por Daniel Vorcaro em 2019. A partir daí, adotou uma estratégia de crescimento acelerado, baseada em captação de recursos a custos elevados e investimentos considerados arriscados.
A prática levantou dúvidas sobre a sustentabilidade financeira da instituição. Investigações apontam que parte dos recursos captados teria sido usada para cobrir déficits operacionais, em um modelo que dependia da entrada constante de novos aportes.
Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, afastou a diretoria e acionou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para indenizar correntistas e investidores até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
Próximos passos
Com a acareação marcada, o STF pretende esclarecer divergências entre os relatos dos investigados e detalhar as circunstâncias das fraudes que envolveram o BRB e o Banco Master. Paralelamente, a Justiça determinou o bloqueio dos bens dos controladores e ex-executivos da instituição, enquanto as investigações seguem para apurar responsabilidades nas esferas civil e criminal.
Com informações do G1.