O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,25% em dezembro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (23). Com isso, o acumulado do ano ficou em 4,41%, dentro do intervalo da meta de inflação definida pelo Banco Central, que é de 3% com tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.
Principais destaques de dezembro
- Transportes: alta de 0,69%, maior impacto no índice (+0,14 p.p.), puxado por passagens aéreas (+12,71%) e transporte por aplicativo (+9%).
- Vestuário: avanço de 0,69%, com destaque para roupas infantis (+1,05%).
- Despesas pessoais: alta de 0,46%, menor que em novembro (0,85%), influenciada por serviços como cabeleireiro (+1,25%) e pacotes turísticos (+2,47%).
- Habitação: aumento de 0,17%, com pressão do aluguel (+0,33%) e da taxa de água e esgoto (+0,66%). Energia elétrica caiu 0,22% após mudança na bandeira tarifária de vermelha para amarela.
- Alimentação e bebidas: alta de 0,13%. Alimentos no domicílio recuaram (-0,08%), com quedas no tomate (-14,53%), leite (-5,37%) e arroz (-2,37%). Carnes (+1,54%) e frutas (+1,46%) subiram. Alimentação fora do domicílio avançou 0,65%.
- Artigos de residência: queda de 0,64%, quarta retração seguida, com recuo em eletrodomésticos (-1,41%).
Avaliação dos economistas
Apesar de o índice cheio ter ficado em linha com as expectativas, especialistas destacaram pressão nos serviços subjacentes, que avançaram 0,52% em dezembro. Esse segmento é considerado mais sensível ao mercado de trabalho e à atividade econômica.
- Carlos Thadeu (BGC Liquidez): alerta para a aceleração dos serviços, como transporte por aplicativo e refeições fora de casa.
- Mariana Rodrigues (SulAmérica Investimentos): aponta piora na qualidade da inflação, com serviços acima do previsto.
- Pablo Spyer (Ancord): vê processo de desinflação em andamento, mas irregular, com serviços como principal desafio.
- Tatiana Pinheiro (Galapagos Capital): ressalta que a inflação de serviços segue acima de 6% em 12 meses, mantendo o Banco Central cauteloso quanto a cortes na taxa de juros.
Conclusão
O IPCA-15 confirma que a inflação de 2025 encerra dentro da meta do Banco Central, mas com sinais de pressão nos serviços. Para 2026, economistas avaliam que será necessário observar uma desaceleração mais clara nesse segmento para que o ciclo de redução da taxa de juros possa avançar com segurança.
Com informações do G1.