PL da Dosimetria é aprovado no Senado e muda regras de progressão de pena

Proposta pode beneficiar condenados pelos atos de 8 de janeiro e aguarda decisão de Lula

O plenário do Senado aprovou, na noite desta quarta-feira, por 48 votos a 25, o Projeto de Lei da Dosimetria, que modifica critérios de cálculo e progressão de pena para condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito, incluindo os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A proposta pode impactar diretamente a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros réus condenados por tentativa de golpe de Estado.

A votação contou com dois votos contrários da bancada baiana dos senadores Otto Alencar (PSD) e Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado e uma abstenção, do senador Ângelo Coronel (PSD). Coronel foi o único parlamentar a se abster entre os 74 senadores presentes na sessão.

Mais cedo, o texto já havia sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Como o projeto passou pela Câmara dos Deputados no último dia 8 de dezembro, ele segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No Palácio do Planalto, ainda há incerteza sobre a decisão presidencial, que pode resultar na sanção integral, em veto parcial ou no veto total da proposta, hipótese defendida por setores da base governista.

O que muda com o projeto

O texto aprovado estabelece que condenados por participação nos ataques de 8 de janeiro poderão progredir do regime fechado para o semiaberto após o cumprimento de 16% da pena. Atualmente, a legislação exige o cumprimento mínimo de 25% da pena em regime fechado para que haja progressão.

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Pelas regras em vigor, Jair Bolsonaro só poderia ter acesso ao regime semiaberto após cerca de sete anos de prisão em regime fechado, o que ocorreria em abril de 2033. De acordo com o relator do projeto na Câmara, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), a nova regra reduziria esse tempo para aproximadamente dois anos e quatro meses.

Além de acelerar a progressão de regime para crimes contra o Estado Democrático de Direito, o projeto prevê a redução de até dois terços das penas aplicadas a réus classificados como vândalos comuns nos atos de 8 de janeiro. O texto também estabelece que o crime de tentativa de golpe de Estado, por ter pena mais elevada, poderá absorver o de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático, quando houver condenação simultânea.

No Senado, o relator da proposta, Esperidião Amin (PP-SC), fez alterações para evitar que o texto retornasse à Câmara, apesar das mudanças no conteúdo. Amin restringiu a aplicação das novas regras de progressão exclusivamente a crimes contra o Estado Democrático de Direito.

A modificação foi apresentada como resposta às críticas de juristas, parlamentares e da opinião pública, que apontavam brechas no texto aprovado pela Câmara e o risco de que outros tipos de criminosos também fossem beneficiados pelas novas regras.

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