O governo federal anunciou que o salário mínimo nacional passará a R$ 1.621 em 1º de janeiro de 2026, um reajuste de R$ 103 sobre o valor atual de R$ 1.518. O aumento representa quase 7% e já valerá para salários e benefícios pagos em fevereiro.

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Como foi calculado
O novo valor resulta da aplicação da regra aprovada em 2023, que combina:
- Inflação medida pelo INPC até novembro de 2025 (4,18%).
- Crescimento do PIB de 2024, limitado a 2,5% pelo arcabouço fiscal.
Na prática, o reajuste soma inflação + ganho real de até 2,5%, chegando a R$ 1.621. O valor ficou abaixo da previsão inicial do Orçamento (R$ 1.631) e da estimativa do governo em novembro (R$ 1.627), porque a inflação foi menor que a esperada.
Quem será impactado
O salário mínimo serve de referência para cerca de 59,9 milhões de pessoas, segundo o Dieese. Além dos trabalhadores que recebem o piso, benefícios como seguro-desemprego, aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) também são vinculados ao mínimo.
Impacto nas contas públicas
Cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera uma despesa adicional de aproximadamente R$ 420 milhões para o governo. O reajuste de R$ 103 em 2026 deve elevar os gastos obrigatórios em cerca de R$ 43,2 bilhões, reduzindo a margem para despesas discricionárias, como investimentos e políticas públicas.
Evolução histórica
O salário mínimo tem sido reajustado anualmente desde 2005. Durante os governos Temer e Bolsonaro, os aumentos seguiram apenas a inflação, sem ganho real. No atual mandato de Lula, voltou a vigorar a política de valorização, que garante reajustes acima da inflação, mas agora limitada pelo teto fiscal.
Poder de compra
Apesar do aumento, o Dieese calcula que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.067,18 em novembro de 2025 — mais de quatro vezes o valor oficial.
Com informações do G1.