Com a chegada de dezembro, muitos brasileiros comentam nas redes sociais que 2025 “passou voando”. Embora o calendário siga imutável, com 365 dias e 24 horas em cada jornada, especialistas apontam que a percepção de tempo acelerado está diretamente relacionada ao modo como vivemos e consumimos informações.

Foto: Divulgação.
Pesquisas mostram que há uma diferença entre o tempo cronológico e o tempo subjetivo — aquele que sentimos passar. O engenheiro Adrian Bejan, da Universidade Duke, nos Estados Unidos, defende que o envelhecimento reduz a capacidade de processamento cerebral, o que gera a sensação de que os dias correm mais rápido. Mas não é apenas a idade que influencia essa percepção.
Segundo a psicóloga Ana Aversi, o estilo de vida contemporâneo intensifica essa sensação. “Estamos cada vez mais conectados e tentando acelerar tudo ao nosso redor. Escutar áudios em 2x, assistir vídeos curtos e acumular tarefas em pouco tempo reforçam a ideia de que precisamos ser mais rápidos”, explica.
Aversi destaca ainda o apelo à produtividade como fator determinante. Influenciadores digitais e coaches de estilo de vida popularizam rotinas intensas, em que antes das 9h já se malhou, estudou e trabalhou. Esse padrão, segundo ela, reduz o espaço para o ócio e cria a impressão de que o tempo não é suficiente.
A psicanalista Danit Pondé alerta que essa aceleração pode ser um sinal de risco para a saúde mental. “As pessoas insistem em estímulos além do limite, mas o corpo não acompanha. Problemas de sono, doenças físicas e mudanças de humor são sinais de que o organismo não suporta viver em estado de alerta contínuo”, afirma.
O excesso de tarefas e estímulos pode se confundir com sintomas de transtornos como o TDAH, alerta Aversi. “Muitos pacientes relatam dificuldade de foco e esquecimento, mas ao analisar suas rotinas, vemos que vivem acelerados, emendando uma tarefa na outra, sem conseguir absorver o presente.”
Especialistas reforçam que a sensação de que o ano passou rápido não é apenas uma questão individual, mas também social. Diferenças no acesso ao tempo útil — como horas gastas em transporte público — mostram que, embora todos tenham 24 horas, nem todos conseguem distribuí-las da mesma forma.
Para quem sente que o ano voou, psicólogos recomendam uma pausa. Em vez de apenas traçar novas metas, é importante refletir sobre prioridades, reduzir estímulos digitais e reservar momentos de conexão consigo mesmo. A desaceleração, afirmam, pode ser o antídoto contra a sensação de que o tempo escapa das mãos.
Com informações do G1.