O governo dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira (20) a retirada da tarifa extra de 40% sobre alguns produtos brasileiros, como carne bovina, café, cacau, açaí e frutas. A medida, publicada pela Casa Branca, trouxe alívio imediato para o agronegócio nacional, mas manteve a taxação sobre itens manufaturados, como máquinas, motores, calçados e móveis, que continuam enfrentando barreiras para entrar no mercado americano.

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
A decisão ocorre uma semana depois de o presidente Donald Trump suspender a taxa de reciprocidade de 10% aplicada globalmente a cerca de 200 mercadorias. No caso brasileiro, a ordem executiva desta quinta-feira foi específica e retroativa, valendo para produtos que chegaram aos EUA a partir de 13 de novembro, data que coincide com a reunião entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio. No documento, Trump cita ainda uma conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro, como marco das negociações bilaterais que levaram ao recuo parcial das tarifas.
Entre os produtos que deixaram de ser taxados estão carne bovina em todas as categorias, café verde e torrado, frutas frescas e processadas, cacau e derivados, além de especiarias, raízes como a mandioca, sucos e polpas de frutas e fertilizantes. Permanecem sob o tarifaço, no entanto, máquinas, motores, calçados, móveis, pescados, mel e café solúvel.
O governo brasileiro comemorou a medida. Lula afirmou estar “muito feliz porque o presidente Trump começou a reduzir a taxação de alguns produtos brasileiros” e garantiu que seguirá buscando diálogo para eliminar as demais tarifas. Para o Itamaraty, a decisão representa um avanço importante, especialmente por reconhecer as negociações diretas entre os dois países. Já o Ministério da Agricultura destacou que o Brasil volta a competir em condições equilibradas no mercado americano, o que deve ajudar a estabilizar preços e ampliar exportações.
O impacto é imediato para setores estratégicos. Os Estados Unidos são o principal comprador de café brasileiro, respondendo por cerca de 16% das exportações. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), as vendas caíram pela metade entre agosto e outubro em comparação com 2024, devido ao tarifaço. O diretor-geral da entidade, Marcos Matos, classificou a decisão como “um presente de Natal antecipado” e resultado de “um trabalho muito intenso”. No caso da carne, os EUA eram o segundo maior destino antes da taxação, absorvendo 12% do volume exportado pelo Brasil. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) também celebrou a reversão, afirmando que ela reforça a estabilidade do comércio internacional e mantém condições equilibradas para todos os países envolvidos.
Apesar do alívio para o agronegócio, a indústria brasileira segue pressionada pela manutenção da tarifa de 40% sobre manufaturados. O governo aposta que novas rodadas de negociação possam ampliar a lista de produtos beneficiados e reduzir o impacto sobre setores que ainda enfrentam dificuldades para competir no mercado americano.
Com informações do G1.