É seguro beber cerveja, vinho ou chope? Especialistas alertam para riscos e recomendam cautela diante da ameaça do metanol

Com o avanço das investigações sobre casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas no Brasil, cresce a preocupação entre consumidores sobre a segurança de produtos como cerveja, vinho e chope. Embora essas bebidas fermentadas apresentem menor risco de adulteração, especialistas e autoridades de saúde reforçam: nenhuma bebida é 100% segura neste momento.

Foto: Divulgação.

Segundo médicos ouvidos, os destilados — especialmente os incolores e de origem desconhecida — são os mais vulneráveis à adulteração com metanol, substância altamente tóxica que pode causar cegueira, falência de órgãos e morte. O neurologista Renato Anghinah, da USP, explica que a lógica econômica torna a adulteração de cerveja e vinho menos atrativa para fraudadores, mas isso não elimina completamente o risco. Cervejas em lata, por exemplo, oferecem maior proteção por serem mais difíceis de manipular.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou a orientação oficial: evitar o consumo de destilados sem garantia de procedência. “Não é um produto essencial. É lazer. E neste momento, o risco é real”, afirmou.

A psiquiatra Olivia Pozzolo, do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), destaca que mesmo bebidas fermentadas devem ser consumidas com cautela. A recomendação é verificar sempre o rótulo, o registro e a origem do produto, priorizando marcas com processos industriais rigorosos.

Casos anteriores mostram que até cervejas podem ser contaminadas. Em 2020, uma cervejaria de Belo Horizonte foi responsável por intoxicações graves causadas por etileno glicol, outro composto químico perigoso. O hepatologista Raymundo Paraná, da UFBA, lembra que falhas na produção ou adulterações grosseiras podem ocorrer, especialmente fora das grandes indústrias.

O professor André Ricardo Alcarde, da ESALQ/USP, reforça que a complexidade das bebidas fermentadas dificulta a adulteração com metanol, mas não elimina completamente a possibilidade. No caso da cachaça, quando produzida dentro das Boas Práticas de Fabricação, o risco é considerado praticamente nulo.

Diante do cenário, o consenso entre especialistas é claro: enquanto não houver esclarecimento completo sobre os casos de contaminação, o consumo de qualquer bebida alcoólica deve ser feito com extrema cautela — e apenas com garantia de procedência confiável.

Com informações do G1.

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