O sabor adocicado do alcaçuz, presente em balas, chás e suplementos naturais, pode esconder um risco pouco conhecido: o aumento da pressão arterial. Estudos recentes e especialistas brasileiros apontam que o consumo frequente da raiz Glycyrrhiza glabra está associado a alterações hormonais e cardiovasculares, mesmo em pessoas jovens e saudáveis.

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A substância responsável é a glicirrizina, que interfere na ação de uma enzima renal que normalmente desativa o cortisol. Sem essa proteção, o cortisol passa a agir como a aldosterona, hormônio que retém sal e água no organismo, elevando o volume de sangue circulante e, consequentemente, a pressão arterial.
O que dizem os estudos
- Um ensaio clínico com 28 voluntários saudáveis mostrou aumento médio de 3 mmHg na pressão sistólica após duas semanas de consumo diário de balas de alcaçuz
- Uma revisão de oito estudos com 541 participantes apontou elevação de 3,5 mmHg na pressão sistólica e 1,2 mmHg na diastólica
- Especialistas alertam que, em larga escala, esses aumentos podem elevar o risco de infarto e AVC
Quem deve evitar
- Pessoas com hipertensão, doenças cardíacas ou renais
- Idosos e pacientes em uso de diuréticos ou anti-hipertensivos
- Indivíduos que apresentam sintomas como dor de cabeça, tontura ou palpitações após consumo frequente
A nutricionista Ana Melillo ressalta que não existe uma dose segura universal, pois a sensibilidade ao alcaçuz varia entre indivíduos.
Onde aparece o alcaçuz
A raiz pode estar presente em:
- Balas e gomas de mascar
- Licores e xaropes fitoterápicos
- Suplementos naturais
Nos rótulos, costuma aparecer como alcaçuz, glicirrizina ou Glycyrrhiza glabra. Na União Europeia, há exigência de alerta quando a concentração é alta. No Brasil, ainda não há estudos que indiquem o teor da substância nos produtos industrializados.
Consumo com moderação
Para pessoas saudáveis, o consumo ocasional tende a não causar alterações significativas. O problema surge com o uso diário e cumulativo. “Quem gosta do sabor pode consumir de vez em quando, mas sempre com moderação. Para hipertensos e pessoas de risco, a recomendação é evitar”, conclui o cardiologista Bruno Sthefan.
Com informações do G1.