O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou queda de 0,11% em agosto, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da primeira deflação mensal desde agosto de 2024.

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Apesar da queda, o resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava uma deflação de 0,15%. Com isso, o IPCA acumula alta de 5,13% nos últimos 12 meses, acima da meta de 3% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No acumulado de 2025, os preços já subiram 3,15%.
Energia elétrica e alimentos puxam queda
O grupo Habitação foi o principal responsável pela deflação, com recuo de 0,90% no mês. A queda foi impulsionada pela redução de 4,21% na energia elétrica residencial, reflexo da inclusão do Bônus de Itaipu nas faturas de agosto. Segundo o IBGE, essa foi a menor variação do segmento para o mês desde o início do Plano Real, em 1994.
Já o grupo Alimentação e Bebidas registrou queda de 0,46%, com destaque para os alimentos consumidos em casa, que ficaram 0,83% mais baratos. Entre os itens com maior recuo estão tomate (-13,39%), cebola (-8,69%), batata-inglesa (-8,59%), arroz (-2,61%) e café moído (-2,17%).
O grupo Transportes também contribuiu para a deflação, com queda de 0,27%, influenciado pela redução nos preços das passagens aéreas (-2,44%) e combustíveis como gasolina (-0,94%) e etanol (-0,82%).
Educação e saúde pressionam o índice
Por outro lado, quatro dos nove grupos pesquisados apresentaram alta. O grupo Educação teve a maior variação positiva, com aumento de 0,75%, puxado pelos reajustes em cursos regulares, especialmente no ensino superior (1,26%) e fundamental (0,65%).
Saúde e Cuidados Pessoais subiu 0,54%, com destaque para higiene pessoal (0,80%) e planos de saúde (0,50%). Vestuário teve alta de 0,72%, enquanto Despesas Pessoais avançaram 0,40%, influenciadas pelo reajuste nos jogos de azar (3,60%).
Mercado de trabalho aquecido mantém pressão sobre serviços
Economistas avaliam que, apesar da deflação, os serviços continuam pressionando o índice. Lucas Barbosa, da AZ Quest Investimentos, aponta que o resultado foi menos positivo do que o esperado, especialmente nos segmentos que demandam mão de obra intensiva, como estética e cuidados pessoais.
Rafael Perez, da Suno Research, destaca que a valorização do câmbio e a queda nos preços de commodities têm ajudado a conter a inflação, mas o consumo interno segue aquecido. Já Rafael Cardoso, do Banco Daycoval, ressalta os recuos em alimentos básicos e itens administrados, mas alerta que o cenário ainda exige cautela por parte do Banco Central quanto à política de juros.
Com informações do G1.