Testemunhas de Jeová flexibilizam regras sobre componentes do sangue, mas mantêm restrição a transfusões de sangue total

Nova orientação permite que fiéis decidam individualmente sobre o uso de plasma, plaquetas e células sanguíneas em tratamentos médicos

Foto: Magnific

As Testemunhas de Jeová anunciaram uma mudança nas orientações religiosas sobre o uso de componentes do sangue em tratamentos médicos. A partir de agora, cada integrante poderá decidir, de acordo com a própria consciência, se aceita receber plasma, plaquetas, glóbulos vermelhos ou glóbulos brancos provenientes de doadores. A organização também passou a permitir que os fiéis escolham se desejam doar sangue para que seus componentes sejam utilizados no tratamento de outras pessoas.

A alteração foi anunciada na sexta-feira (19) e representa uma revisão parcial da posição histórica da religião sobre transfusões. A proibição do recebimento de sangue total, no entanto, continua em vigor.

Segundo Paul Gillies, porta-voz internacional das Testemunhas de Jeová, o sangue permanece sendo considerado sagrado pela religião. De acordo com ele, as decisões relacionadas ao uso de seus componentes devem ser tomadas individualmente, conforme a consciência e as convicções religiosas de cada membro.

A nova orientação também permite que os fiéis decidam pela doação de sangue com a finalidade específica de produzir componentes ou frações destinados a tratamentos médicos. A organização continua rejeitando, porém, doações voltadas à transfusão de sangue total.

Esta é a segunda mudança nas orientações sobre o sangue anunciada pelas Testemunhas de Jeová em 2026. Em março, a organização já havia permitido que cada fiel decidisse sobre a retirada, a conservação e a utilização do próprio sangue em procedimentos médicos posteriores.

A posição contrária ao uso de sangue total está relacionada à interpretação de passagens bíblicas que orientam os seguidores a “se absterem de sangue”.

As Testemunhas de Jeová afirmam contar com cerca de nove milhões de seguidores em todo o mundo, dos quais aproximadamente 900 mil estão no Brasil.

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