Morte de corais na costa dos corais ameaça pesca e turismo na região

Pesquisadores alertam que mortalidade dos corais já atinge 80% nos recifes rasos, colocando em risco biodiversidade, pesca e atividades turísticas.

Foto: ECOA LAB

A Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, que se estende por 130 km entre Alagoas e Pernambuco, enfrenta uma grave crise ambiental. Estudos apontam que cerca de 80% dos corais nos recifes rasos estão mortos, resultado das mudanças climáticas, poluição e turismo desordenado.

Impacto ambiental e econômico

O biólogo Robson Santos, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), explica que a degradação dos recifes afeta diretamente a economia local. “O impacto atinge os peixes, a população e toda a cadeia do turismo. Muitas pessoas dependem dos corais para subsistência”, afirmou.

José do Carmo, jangadeiro há 40 anos em Maceió, relatou as mudanças que percebeu ao longo do tempo. “Antes, as pedras eram coloridas, agora estão todas brancas. O que as próximas gerações vão ver?”, questionou.

O processo de branqueamento dos corais, intensificado pelo aquecimento das águas, não os mata imediatamente, mas os enfraquece, tornando-os mais suscetíveis a doenças e degradação.

Medidas de preservação e fiscalização

A APA dos Corais é protegida por decreto federal e fiscalizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Para evitar danos ao ecossistema, algumas normas foram estabelecidas, como:
• limites de carga para visitação
• infraestrutura sustentável
• fiscalização intensificada

Em Maragogi, a Justiça proibiu o turismo na Lagoa Azul após ação do Ministério Público Federal (MPF), que apontou o impacto ambiental da atividade descontrolada. A prefeitura anunciou que recorrerá da decisão.

Recuperação e futuro dos recifes

Pesquisadores monitoram os recifes com tecnologia avançada, incluindo mergulho científico e fotografia de alta definição, para mapear áreas críticas.

“Os corais podem se recuperar se a temperatura do oceano diminuir, mas precisamos de monitoramento contínuo e ações ativas de conservação”, explicou o pesquisador Pedro Pereira, do ICMBio.

Além da redução da poluição e do controle da temperatura da água, iniciativas como cultivo e transplantio de corais saudáveis são alternativas para mitigar os danos.

Para Santos, a solução envolve também um turismo mais sustentável. “É possível equilibrar a preservação dos recifes e o desenvolvimento econômico, mas precisamos de consciência ambiental e políticas eficazes”, concluiu.

Com informações do G1.

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