Filme: Dia D

por Djanga Baiana (o D é mudo)

Estava ouvindo dizer por aí que Dia D não era tão legal, que tinha uns defeitos aqui, outros ali (que filme não tem?) e, com o trauma de Assassinos das Luas das Flores, de Scorsese (primeiro filme que me fez querer deixar a sala de cinema e achar que era possível morrer de tédio. Causa mortis: tédio), pensei: “Spielberg tá ficando gagá como seu amigo Martin”. 

Gritei aos quatro ventos: chegou a hora da geração nova. Esses senhorzinhos têm que se aposentar e se contentar com as 357 obras-primas que já produziram.

Falei merda. Uma grande merda. Dia D é maravilhoso! 

Não posso deixar de citar filmes como Interestelar e A Chegada, mas Dia D é MAJESTOSO. 

Quando assisti ao trailer, pensei: “Ué, isso é filme de Spielberg? Diferentão, ok…”, esquecendo que ele já colocou um ET para cruzar a Lua de bicicleta, dinossauros em um parque e que foi responsável pelo primeiro blockbuster da história, Tubarão, sem ter um único tubarão para mostrar durante metade do filme. Porém, pelo trailer, achei meio sombrio. Pensei, na minha insignificância, que não era seu estilo. Duvidei… Mas acontece que o filme é um Spielberg sem tirar nem pôr, é um abraço. 

Sempre digo que meu diretor favorito é Tarantino, mas na minha cabeça, todas as minhas personalidades são unânimes em concluir que o melhor é Spielberg. E Dia D tem Spielberg do início ao fim.

A trilha sonora característica, meio Indiana Jones versão light, a ação sem violência, a guerra sem sangue, a doçura sem infantilidade, o olhar dos personagens que escancara suas almas e nos faz entender o que seria inexplicável com palavras, e a fantasia. Ah, a fantasia… A fantasia que deixa para trás a realidade fria, como o cinema deve ser, afinal, é o que buscamos quando pegamos nossa pipoca e nos entregamos, por cerca de 2h, a um novo mundo.

O filme fala de ETs e inverte (ou iguala) os papéis entre estes e os humanos: quem tem medo de quem? Quem domina quem? Quem é o vilão de quem? Tendemos a achar que estamos vulneráveis a civilizações mais avançadas, que somos abduzidos, explorados, alvos de experimentos em que inserem artefatos em nossos orifícios anais… Mas, se não for bem assim? Apenas pense no que somos capazes de fazer com nós mesmos, humanos com humanos. Será que não faríamos pior com um ser no qual não nos reconhecemos, um ser diferente, de outro planeta, que seja?  

Dia D é tão completo que até a religião faz sua parte, sem fazer Darwin se revirar no túmulo, e agrega ao único fim a que deveria: a empatia. Precisamos que o mundo veja uma realidade ao mesmo tempo igualitária e heterogênea (eu sei, é complexo e contraditório). Uma vez li que “sem diversidade, perde-se a capacidade de ler o mundo”. E que pobreza seria não conseguir ler o mundo (ou, nesse caso, os mundos)!

Saí da sala de cinema acreditando que, nessa obra magistral, os ETs são como espelhos. Não literais, mas pelo que extraem de nossa consciência. Então pergunto: o que seria refletido de você nesse espelho? Maldade, beleza, surpresa, superioridade, inferioridade, inveja, ódio, força, tudo? Ou talvez nada? Eu sei o que você deveria verdadeiramente refletir: o próximo.

Somos todos seres vivos, perfeitos e falhos em nossas medidas únicas. Cada um de nós é uma parte mínima da imensa equação do universo. Mas não somos pequenos. Importamos, somos parte de um todo, algo maior do que você e eu. E se ver no próximo nada mais é do que reconhecer isso, é aí que entra a empatia. E essa é a mensagem dos ETs para nós. Empatia pelo diferente. Empatia.

Obs.: Falando nisso, Márcia Sensitiva disse que o Dia D ocorrerá agora, durante a Copa. Aguardemos.

Obs. 2: Se a linguagem universal é a matemática, tô f*dida.

Obs. 3: Na dúvida, siga o ET Bilu e busque conhecimento.

FONTES / CRÉDITOS:

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