Envenenamento com arsênio em bolo natalino eleva pena de prisão; entenda o caso

O uso de veneno no crime que resultou na morte de três pessoas em Torres (RS) pode levar a um aumento significativo da pena para Deise Moura dos Anjos, 42 anos. A suspeita, que está presa desde o fim de dezembro, teria envenenado a farinha usada no preparo do bolo consumido durante uma confraternização familiar. O episódio deixou ainda duas pessoas hospitalizadas, incluindo uma criança em estado crítico. Segundo investigações, o motivo do crime seria um conflito familiar de mais de duas décadas.

Foto: Divulgação.

Deise é nora de Zeli dos Anjos, de 61 anos, que preparou o bolo fatal e sobreviveu após ser hospitalizada. O crime ocorreu em 23 de dezembro, vitimando Maida Berenice Flores da Silva, de 58 anos, Neuza Denize Silva dos Anjos, de 65 anos, e Tatiana Denize Silva dos Santos, de 43 anos. A polícia reuniu evidências do envolvimento de Deise, incluindo buscas realizadas por ela na internet sobre arsênio, um componente tóxico usado em pesticidas. Relatórios extraídos do celular da suspeita revelaram pesquisas sobre o veneno, inclusive em sites de compras.

A legislação brasileira classifica o uso de veneno como uma qualificadora do crime de homicídio, conforme o Código Penal. Isso torna o delito mais grave e influencia diretamente a dosimetria da pena, que pode variar de 12 a 30 anos de prisão. A prática de envenenamento é considerada insidiosa, pois impede a defesa da vítima, além de indicar planejamento e intenção deliberada. “A escolha do momento, a aquisição da substância e a forma de administração demonstram premeditação. O uso do veneno também visa dificultar a investigação, o que agrava a conduta”, explica o advogado criminalista Arthur Richardisson.

No caso de Deise, a acusação aponta para triplo homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e emprego de veneno, além de tentativa de homicídio qualificado. Se condenada, a pena poderá se aproximar do limite máximo permitido. Embora fatores como confissão espontânea possam ser considerados atenuantes, eles não anulam as qualificadoras do crime.

O arsênio, substância detectada na farinha usada no bolo, tem alto potencial tóxico. De acordo com laudos periciais, a concentração encontrada era até 2.700 vezes superior ao limite seguro. O consumo dessa substância provoca sintomas graves de envenenamento, podendo levar à morte.

A investigação segue em andamento, enquanto a comunidade de Torres permanece abalada pelo crime brutal que transformou uma celebração de Natal em tragédia.

Com informações do Correio da Bahia.

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