O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania oficializou nesta quinta-feira (28) a retificação da certidão de óbito da estilista Zuzu Angel, morta em 1976. O novo documento reconhece que a morte foi violenta e provocada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição política promovida pela ditadura militar (1964–1985).

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A entrega simbólica da certidão ocorreu durante cerimônia na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), junto com outros 20 documentos revisados de vítimas do regime. A medida atende à Resolução nº 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determina que mortes de dissidentes políticos sejam registradas como não naturais e atribuídas ao Estado.
Zuzu Angel morreu aos 54 anos em um suposto acidente de carro na saída do Túnel Dois Irmãos, em São Conrado, Zona Sul do Rio. Desde os anos 1980, familiares e ativistas apontam que o acidente foi forjado por agentes da ditadura. Em 1988, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos reconheceu oficialmente a responsabilidade do regime pela morte da estilista.
Zuzu se tornou símbolo da resistência após o assassinato de seu filho, Stuart Angel, militante político morto sob tortura em 1971. Em bilhete deixado ao jornalista Zuenir Ventura, ela escreveu: “Se algo vier a acontecer comigo, se eu aparecer morta por acidente, assalto ou qualquer outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho”.
A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, afirmou que o país ainda convive com as sequelas da ditadura e que “é importante nomear o óbvio e o vivido para que não se repita”. A secretária-executiva do ministério, Janine Mello, destacou que a retificação representa o reconhecimento da verdade histórica sobre a causa da morte dessas pessoas.
O governo federal prevê entregar 400 certidões retificadas até o fim de 2025.
Com informações do G1.