Animais, documentos e joias deixados para trás revelam dificuldades na deportação

Foto: Henrique Campos/TV Globo
Brasileiros deportados dos Estados Unidos relatam a perda de bens como animais de estimação, documentos e objetos de valor sentimental. Especialistas apontam que, em muitos casos, esses itens não são recuperados, e que há pouca assistência do governo brasileiro para lidar com a situação.
Perda de bens e dificuldades na deportação
O tratorista André dos Santos, 26 anos, foi deportado dos EUA e teve que deixar para trás seu furão de estimação, Foggy, além de uma casa recém mobiliada em Massachusetts. Ele conta que sua esposa ficou no país e está cuidando do animal, mas teme que ela também seja deportada.
Outro caso semelhante é o do bancário Pedro Henrique Torres, 26 anos, que voltou ao Brasil sem nenhum de seus pertences. Entre os itens deixados estão sua aliança de casamento, uma herança de família, e documentos importantes, como certidão de casamento e cartões bancários.
“Chegamos aqui sem nada, somente com o passaporte e o telefone da minha esposa”, relatou Pedro, que não conseguiu recuperar seus pertences mesmo após procurar órgãos como o Ministério das Relações Exteriores e a Polícia Federal.
O que acontece com os bens deixados nos EUA?
Especialistas explicam que os deportados são responsáveis pelos próprios bens, e que os governos brasileiro e americano não possuem regras claras sobre o que deve ser feito.
• Bens materiais: imóveis e veículos continuam pertencendo aos deportados, mas, sem alguém para administrá-los, podem ser perdidos.
• Contas bancárias: podem ser acessadas remotamente, mas o processo pode ser burocrático.
• Animais de estimação: ficam sob responsabilidade de quem estiver no país ou podem ser abandonados.
A professora da Universidade de Brasília (UnB) Inez Lopes destaca que a falta de regulamentação agrava a situação. “O Estado americano deveria garantir o direito de propriedade desses bens, mas, pelos relatos, isso não acontece.”
Como se preparar para uma possível deportação?
Organizações como a Massachusetts Immigrants and Refugees Advocacy Coalition (MIRA) oferecem treinamentos para imigrantes sobre como proteger seus bens e direitos em caso de deportação.
O site MiracleAlysia.org disponibiliza materiais em português com formulários para planejamento familiar e administração de bens à distância.
Voos de deportação e impacto na comunidade brasileira
O voo que trouxe André e Pedro de volta ao Brasil foi o segundo com deportados brasileiros desde o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA. Estima-se que existam 230 mil brasileiros em situação irregular no país, o que pode aumentar o número de deportações nos próximos meses.
Sem regras claras e com dificuldades para recuperar seus bens, muitos deportados enfrentam um recomeço difícil ao voltar ao Brasil.
Com informações do G1.