Inquérito apura possíveis irregularidades envolvendo empresa de criptoativos que prometia rendimentos de até 2,8% ao mês; investigação tramita sob sigilo na Justiça Federal, em Curitiba
A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da empresa OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A companhia atua no mercado de criptoativos e atraiu investidores com a promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês. Atualmente, parte dos clientes afirma enfrentar dificuldades para resgatar os valores aplicados.
Aberto em fevereiro deste ano, o inquérito tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, com acompanhamento do Ministério Público Federal (MPF).
Segundo informações sobre o caso, Guedes teria prestado consultoria à empresa, participado de reuniões estratégicas e conversado com potenciais investidores. Sua imagem também teria sido utilizada em materiais de divulgação. Em uma publicação da própria OnilX, o ex-ministro aparece ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa, em um encontro descrito como de “alta relevância estratégica”.
A empresa nega irregularidades e afirma atuar dentro da legalidade no mercado de ativos virtuais.

Ações judiciais e relatos de investidores
O nome de Paulo Guedes também aparece em processos movidos por clientes da OnilX. Em uma das ações, um casal cobra R$ 876,5 mil da empresa e afirma ter mantido e ampliado os investimentos após participar de uma reunião com o ex-ministro na sede da companhia, em abril. Segundo os autores do processo, o pedido de resgate dos valores não foi atendido quatro meses depois.
Em outro caso, mensagens anexadas aos autos mostram uma assessora da empresa mencionando a presença de Guedes para atrair um potencial cliente. Na ocasião, ela teria oferecido uma reunião com o ex-ministro para discutir estratégias de investimento.
Entre 12 de junho e 10 de setembro, foram contabilizadas 108 ações judiciais contra o grupo. Nos processos, investidores relatam dificuldades para retirar recursos aplicados em produtos relacionados a criptomoedas e stablecoins. Algumas ações também levantam suspeitas de que o modelo de operação possa configurar uma pirâmide financeira.
Decisão da CVM
Em janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão das ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários realizadas pela empresa. Em abril, a decisão foi mantida, com o esclarecimento de que a restrição não se aplica à simples intermediação de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e USDT, desde que não haja promessa de rendimento ou contrato de investimento.
O procedimento policial foi registrado em 10 de fevereiro e apura possíveis crimes previstos na Lei nº 7.492/1986, que define delitos contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito teve movimentações em setembro e outubro, incluindo intimações e diligências policiais.
A investigação está em andamento, e a apuração das suspeitas não representa, por si só, uma conclusão sobre a responsabilidade dos investigados.