Chapa puro-sangue do PT tenta quebrar tabu de 24 anos nas eleições da Bahia

A estratégia do PT de lançar uma chapa formada exclusivamente por integrantes do partido para disputar o Governo da Bahia e as duas vagas ao Senado em 2026 terá como desafio romper um histórico desfavorável nas eleições estaduais. Levantamento realizado pelo A TARDE com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou 26 chapas puro-sangue desde 1947, das quais apenas seis foram vitoriosas e 20 terminaram derrotadas. A composição petista deste ano será a 27ª da história e reunirá Jerônimo Rodrigues na disputa pelo governo e Rui Costa e Jaques Wagner como candidatos ao Senado.

O levantamento considerou apenas partidos que já elegeram representantes para o Congresso Nacional. Embora o modelo tenha sido utilizado principalmente por legendas de oposição ou candidaturas com estruturas eleitorais menores, algumas chapas conseguiram resultados importantes em períodos de forte domínio político. A última vitória, porém, ocorreu em 2002, quando o então PFL elegeu seus três candidatos.

A primeira chapa puro-sangue identificada na história das eleições diretas da Bahia foi registrada em 1947, quando o PTB lançou Antônio Medeiros Neto para governador e Landulfo Alves para o Senado. A composição perdeu para Otávio Mangabeira e Pereira Moacir. A primeira vitória só viria 35 anos depois.

Em 1982, o PDS conseguiu eleger João Durval para o governo e Luiz Viana Filho para o Senado. Naquele mesmo pleito, o PMDB também apresentou uma chapa formada apenas por seus integrantes, com Roberto Santos para governador e Waldir Pires para o Senado, mas os dois foram derrotados. Foi a primeira eleição em que duas chapas puro-sangue apareceram simultaneamente na disputa, uma delas vitoriosa.

Quatro anos depois, o PMDB voltou a apostar na estratégia e obteve sucesso. Waldir Pires foi eleito governador, enquanto Ruy Bacelar e Jutahy Magalhães, ambos do partido, conquistaram as duas vagas ao Senado. A vitória colocou o PMDB entre as seis legendas ou composições que conseguiram vencer com esse modelo na história eleitoral baiana.

O período de maior sucesso das chapas puro-sangue veio nos anos 1990, sob liderança do PFL. Em 1990, Antonio Carlos Magalhães (ACM) foi eleito governador e Josaphat Marinho chegou ao Senado. Em 1994, o partido repetiu a fórmula com Paulo Souto para o governo e ACM e Waldeck Ornelas para o Senado. Os três foram eleitos.

A sequência continuou em 1998, quando César Borges venceu a disputa pelo governo e Paulo Souto conquistou a vaga ao Senado. Em 2002, o PFL fechou o ciclo de vitórias com Paulo Souto para governador e Antonio Carlos Magalhães e César Borges para o Senado. Com quatro vitórias, o PFL responde por quatro das seis chapas puro-sangue vencedoras identificadas pelo levantamento. As outras foram a do PDS, em 1982, e a do PMDB, em 1986.

Desde então, nenhuma composição desse tipo voltou a vencer na Bahia. Em 2006, PFL e PSOL apresentaram chapas puro-sangue, mas ambas foram derrotadas. Jaques Wagner (PT) venceu a eleição para governador, enquanto João Durval (PDT) conquistou uma vaga no Senado.

O modelo também fracassou nas eleições seguintes. Em 2010, DEM e PV lançaram chapas próprias, mas não venceram. Em 2014, PSB e PSOL repetiram a estratégia e também foram derrotados. O maior número de chapas puro-sangue em uma mesma eleição ocorreu em 2018, quando quatro partidos apresentaram composições exclusivamente partidárias: PSOL, REDE, PRTB e MDB. Nenhuma delas venceu. Naquele ano, Rui Costa (PT) foi reeleito governador, enquanto Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronel, então no PSD, foram eleitos para o Senado.

Em 2022, o PL lançou João Roma para governador e Raíssa Soares para o Senado. O PSOL apresentou Kleber Rosa para o governo e Tâmara Azevedo para o Senado. As duas chapas foram derrotadas. Jerônimo Rodrigues (PT) venceu a disputa pelo governo, enquanto Otto Alencar (PSD) conquistou a única vaga ao Senado daquele pleito.

A eleição de 2026 colocará o PT diante de uma situação inédita nesse histórico recente. O partido, que atualmente governa a Bahia, apresentará Jerônimo Rodrigues à reeleição, enquanto Rui Costa e Jaques Wagner concorrerão às duas vagas disponíveis para o Senado. Será a 27ª chapa puro-sangue identificada desde 1947 e a primeira desde 2002 a reunir um partido que está no comando do Estado e tenta eleger simultaneamente seus candidatos ao Executivo e às duas cadeiras do Senado.

O desafio petista é especialmente significativo porque, desde a última vitória, em 2002, 14 chapas puro-sangue foram disputadas até 2022 sem que nenhuma conseguisse eleger seus candidatos. A composição de 2026, portanto, poderá tanto recolocar o PT entre os vencedores desse modelo quanto ampliar a sequência de derrotas que já soma 20 resultados negativos.

Fonte: A TARDE.

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